Cleber Morais, da AWS Brasil, durante abertura do AWS Summit 2026, em São Paulo

Sem usar os jargões e dados cansados dos diversos eventos de inteligência artificial que acontecem no Brasil, a AWS atraiu mais de 18 mil pessoas para o AWS Summit 2026. O evento anual também marcou os 15 anos de operação da empresa no País. Se no início a evangelização da jornada para nuvem era o desafio, agora, esse mesmo cenário se repete com IA. Mas não por falta de interesse ou entendimento ainda que parcial do potencial da tecnologia. Governança, base não preparada e até escassez de talentos atrapalham a geração de valor, como compartilharam executivos da companhia. 

Na abertura do evento, o country director da companhia para o Brasil, Cleber Morais, lembrou dos investimentos aportados pela empresa no País e repassou os temas das últimas edições do encontro (da nova era da IA à chegada dos agentes), para dar o tom do recado que eles querem trabalhar a partir de agora. “A pergunta mudou. Não é o que IA será capaz de fazer. Mas o que pessoas e empresas descobrirão que serão capazes de fazer”, disparou o executivo.

O momento é de entender o real valor que pode ser extraído, seja na criação de agentes, no uso das plataformas para acelerar desenvolvimento ou mesmo em redesenho de processos e fluxos de trabalho. Morais falou em ambição com direção, o que está totalmente relacionado à governança, um ponto de debilidade em muitas empresas para avançar ou escalar projetos de IA. “O momento pede ousaria com direção, uma ambição disciplinada, com autonomia aos agentes, mas preservando a clareza das decisões humanas”, detalhou. 

50% das empresas usam IA

Cleber Morais também falou em reduzir a distância entre imaginar, realizar e aprender. Para o executivo, a discussão não deve mais estar centrada no fazer mais rápido, mas em reduzir a distância entre esses tópicos. Porque se de um lado IA traz velocidade para diversas tarefas, sem estratégia, são apenas trabalhos feitos de maneira mais veloz. Mas essa velocidade, pode beneficiar o ciclo de criação de produto, por exemplo. 

Durante o evento, o executivo apresentou o estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil, que apontou que 12 milhões de empresas já utilizam a tecnologia, o que dá 50% do total de empresas brasileiras. Esse número representa um salto de 40% em relação a 2025. Mas se a velocidade de adoção acelerou, ainda falta geração de valor. Apenas 33% das organizações estão confiantes em medir com precisão o ROI da IA, além disso, apenas 28% dizem possuir framework de medição definido, o que revela um problema relacionado à governança das iniciativas de IA.

O estudo também mostrou que falta de pessoas capacitadas segue como empecilho para avanço dos projetos. Apenas 31% dos entrevistados descrevem sua organização com habilidades fortes em IA. Aqui, a AWS afirma que contribui com seus programas de formação, cujo compromisso no Brasil é de capacitar 1 milhão de pessoas em habilidades de IA, incluindo preparo para certificações.

Paula Bellizia, vice-presidente da AWS para América Latina, lembrou de um dado do Fórum Econômico Mundial que revela que apenas 23% das organizações declaram terem gerado valor com IA. “Poderia ser maior e nos debruçamos para entender o porquê de só 23%. Será que não poderia ter avançado?”. A fala da executiva veio antes de ela apresentar o que chama de imperativos de IA na América Latina.

Governança precisa acelerar

Paula Bellizia, VP da AWS para América Latina

Para Paula, se de um lado IA precisa ser encarada como realidade, até por sua disseminação nas organizações, por outro, empresas da região precisam lidar com a complexidade latente do continente. Isso passa por regulação, infraestrutura e até modernização dos parques tecnológicos e suas respectivas aplicações. 

Outro ponto visto como crucial na região é o trabalho nas bases, para que estejam preparadas para melhor usar IA. “Não se fala de IA sem falar das bases para que alcance o valor. Qualidade dos dados é desafio nos clientes. Dados limpos, governados, para que aplicações e agentes escalem. A governança que vemos para organização escalar em agentes é diferente de uma tradicional. Como identifica e gerencia agentes? Como será PNL de custo e escala?”, provocou a executiva.

Diversos CIOs relatam dificuldade em elaborar e estabelecer uma governança que abarque inteligência artificial, sobretudo, agora, com os agentes. Mas se existe essa dificuldade e ela é impeditivo para escalar o uso e extrair valor, a indústria, de alguma maneira, pode contribuir? Para Paula, diversas ferramentas no portfólio da AWS  contribuem para essa jornada de governança. 

“Um exemplo onde temos ajudado os nossos clientes em governança está ligada ao desenvolvimento de código, que a gente chama de AI DLC (AI Development Life Cycle). Com esse framework, ajudamos as equipes técnicas dos clientes a se organizarem do ponto de vista de desenvolvimento de código, qualquer que seja a escolha deles, para saber como fazer essa adoção da tecnologia, como medir o resultado, como escalar a partir de um cenário específico de outro”, exemplificou.

Outra frente tem sido a evangelização, em especial, com grupos de liderança. São sessões de conhecimento, visitas a universidades e eventos específicos que focam em conselheiros, CFOs, RHs. Esse entendimento mais massificado sobre o funcionamento da tecnologia também contribui para que, internamente, as empresas possam discutir seus mecanismos de controle e governança.

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