
No Dia Internacional do Lixo Eletrônico, celebrado nesta quarta-feira 14 de outubro, o debate sobre o descarte correto e o ciclo de vida dos aparelhos tecnológicos ganha destaque. Em conversa com o Coletivo Tech, Bianca Souza, coordenadora de sustentabilidade da Green Eletron, analisou o cenário brasileiro de logística reversa, apontando conquistas regulatórias e operacionais, além de ressaltar a importância da educação contínua do consumidor.
Na visão da especialista, o Brasil apresentou progressos significativos na regulamentação e no volume de recolhimento de materiais eletroeletrônicos nos últimos anos. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos date de 2010, o setor de eletroeletrônicos estabeleceu um acordo setorial em 2019, consolidado via decreto em 2020.
Desde o início de suas operações, a Green Electron mais de 30 mil toneladas de eletroeletrônicos coletados ao longo de 10 anos de atuação da gestora. Esse montante é beneficiado pela rede de coleta gerenciada pela instituição. São cerca de 2 mil pontos de entrega voluntária (PEVs) para eletroeletrônicos e quase 11 mil pontos exclusivos para pilhas e baterias de pequeno porte distribuídos por todos os estados brasileiros. “A gente tem muito a melhorar, claro, mas a gente tem muito o que comemorar também”, avalia Bianca.
Responsabilidade compartilhada
A destinação adequada dos resíduos não depende de uma única ponta. Pela legislação, o modelo adotado no Brasil prevê a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, varejistas e consumidores. Enquanto a indústria financia a estrutura de logística reversa e o varejo disponibiliza os pontos de coleta, cabe ao cidadão levar o aparelho antigo ou sem uso ao local correto.
“Para que um produto seja fabricado e depois destinado à reciclagem, precisamos de vários atores e cada um é responsável em uma etapa para que isso no final consiga ser feito da melhor forma possível”, ressaltou Bianca.
Educação e conscientização constante
Apesar do aumento do conhecimento populacional e da ampliação dos pontos de descarte, a mudança de hábito do consumidor continua sendo um dos principais desafios para o avanço da reciclagem no Brasil. Pesquisas do setor apontam que cerca de 4 em cada 10 pessoas ainda mantêm aparelhos sem uso guardados em casa em vez de os levarem aos postos de coleta.
A retenção desses eletrônicos em residências e o descarte inadequado de pilhas no lixo comum comprometem a reciclagem e a recuperação de matérias-primas preciosas (como metais e plásticos), essenciais para a economia circular e a mineração urbana.
“É uma transição, uma educação constante. A gente espera que em algum momento isso já não seja algo diferenciado, mas sim a prática onde você não precisa nem pensar, você já sabe o que você precisa fazer.”






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