
Empresas que renovam computadores, servidores e outros equipamentos de TI precisam lidar com um problema que vai além da logística: o que acontece com os dados armazenados nesses dispositivos depois que eles deixam de ser usados? Em 2025, a plataforma Circulare, da Circular Brain, processou 2.153 toneladas de equipamentos corporativos retirados de operação, todos submetidos a procedimentos de eliminação de dados antes da destinação.
A questão ganhou peso com a expansão das exigências de proteção de dados. Pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a responsabilidade sobre as informações pessoais tratadas por uma empresa continua sendo do controlador. A entrega de um computador ou outro ativo para descarte, portanto, não encerra essa responsabilidade.
Descarte não é só logística
Equipamentos que deixam o ambiente corporativo podem armazenar credenciais, contratos, informações de clientes, registros de colaboradores e outros dados sensíveis. Apagar arquivos ou formatar um disco não significa, necessariamente, eliminar essas informações de forma segura.
Marcello Fornari, cofundador e COO da Circular Brain, apontou em nota que “o descarte de TI nasceu como contrato de resíduo, e não de tecnologia. A régua de compra é o peso e o preço, e daí vem uma confusão comum entre tirar o equipamento da empresa e encerrar todos os dados e informações que estão nele. São coisas separadas, mas que não podem ser encaradas assim. A coleta resolve o problema físico, já a proteção da informação só é confirmada quando existe um relatório dizendo o que foi apagado, em qual dispositivo e quando isso aconteceu”.
Na operação da Circulare, equipamentos que possuem mídias de armazenamento passam por sanitização de dados, também conhecida como data wiping, antes de seguirem para a destinação. A etapa é tratada pela empresa como requisito para atender políticas de segurança da informação e demandas relacionadas à LGPD.
Evidência para auditoria
O processo é realizado pela rede de parceiros da Circular Brain com softwares especializados e métodos reconhecidos internacionalmente, incluindo a NIST SP 800-88. A técnica pode envolver a sobrescrita das áreas de armazenamento, dependendo do tipo de mídia e dos critérios definidos pela empresa.
A Circular Brain afirma que sua responsabilidade está em garantir que o procedimento seja realizado e possa ser rastreado, com a geração de evidências para auditorias relacionadas à LGPD e ao GDPR. A escolha da ferramenta utilizada considera a política interna da companhia, o tipo de dispositivo e as exigências de governança.
“O que resolve não é a promessa de que o dado foi apagado. É o relatório de auditoria do equipamento e o certificado de destinação, guardados. Se alguém perguntar dois anos depois, é esse conjunto que responde. É garantir para a empresa que o descarte de equipamentos corporativos não se torne uma dor de cabeça no futuro”, acrescentou Fornari.
Do apagamento ao destino final
A documentação não termina na sanitização. Depois da eliminação dos dados, o equipamento segue para o processo de descarte ou destinação, que também precisa ser registrado. A operação pode gerar documentos como Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), nota fiscal e Certificado de Destinação Final (CDF).
Na prática, a combinação desses registros com o relatório de sanitização cria uma trilha documental sobre o ativo. O conjunto pode ser utilizado por áreas de compliance, auditores, órgãos ambientais e pelo encarregado de proteção de dados, o DPO, para verificar tanto o destino do equipamento quanto o tratamento dado às informações armazenadas nele.
Os equipamentos corporativos representam uma parte da operação da Circular Brain. Em 2025, a Circulare processou 83,4 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos, volume 53% superior ao registrado no ano anterior.
A plataforma é certificada pela ABNT NBR 16.156, norma que estabelece requisitos técnicos para processos de manufatura reversa de produtos eletroeletrônicos e inclui critérios relacionados à rastreabilidade dos resíduos.






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