
O ritmo do mundo corporativo e a aceleração tecnológica impuseram um novo paradoxo às lideranças e profissionais: ao mesmo tempo em que a expectativa de vida aumenta, o tempo de relevância das competências e das soluções de mercado encurta. Essa é apenas parte da provocação levada por Laércio Cosentino, fundador e presidente do conselho de administração da Totvs, durante o Universo Totvs, em São Paulo.
Cosentino reconheceu a longevidade adquirida pelos seres humanas, mas lembrou que ela vem com desafio e, um deles, é a obsolescência mais rápida. Se antes as pessoas se aposentavam cedo e o conhecimento adquirido na juventude durava décadas, hoje o custo de uma vida mais longa exige capacidade constante de financiamento, aprendizado e adaptação. “Os dois relógios mudaram de ritmo”, resumiu. “A vida ficou mais longa e a tecnologia ficou mais rápida. Isso significa que a transição passou a acontecer várias vezes ao longo da nossa existência.”
Da gestão tradicional às novas categorias
Essa dinâmica de reinvenção reflete diretamente a trajetória da própria Totvs. O executivo relembrou a evolução da companhia, desde o momento em que consolidou a categoria de ERPs até o anúncio do Corten, nova categoria de soluções focada no futuro dos negócios. Ao repassar os momentos de ruptura do setor de software, Cosentino destacou como os conceitos precisam se transformar para não perderem o protagonismo.
“Quando a gente trazia a ideia do ‘SaaS Apocalipse’, de repente você fala: ‘Tá bom, vai acabar o ERP?’ Ele vai continuar existindo, mas ele não é mais o centro de tudo. O que está sendo comunicado para vocês parece que é menor, mas não: é muito forte! Isso aqui, que foi a mola propulsora de muita coisa, não é mais o que faz a diferença. O que faz a diferença é você poder juntar tudo isso aqui e ter uma nova categoria.”
Ciclos de mudança cada vez mais curtos
A necessidade de reestruturação do ecossistema de tecnologia ou mesmo de qualquer organização acompanha a compressão dos ciclos de mercado. Se no passado as grandes transformações corporativas levavam 50 anos para se consolidar, o intervalo caiu para 30, 10 e, atualmente, para ciclos de apenas 5 anos. Para acompanhar essa velocidade, as empresas precisam interpretar, decidir e executar em ritmo contínuo para evitar que seus modelos fiquem superados subitamente.
Nesse cenário de transformação acelerada, a inteligência artificial passa a ocupar papel central no dia a dia das organizações. Para Cosentino, a IA não deve ser encarada como uma mera ferramenta de automação, mas sim como uma nova força competitiva no ambiente de trabalho.
“A IA já foi. já revolucionou e já mudou a nossa vida. Quando a gente encara a IA como mais um concorrente, a gente começa a ver o seguinte: eu não tenho que ter receio, eu tenho que me preparar. Ela criou e trouxe um competidor que tem uma boa relevância, um bom conhecimento, e nós vamos ter que olhar e falar: como é que eu posso superá-lo ou quais competências tenho que desenvolver para brigar de igual para igual?”
Aprender e desaprender
Para equilibrar a longevidade pessoal e profissional com as exigências da era digital, Cosentino aponta que o maior desafio das lideranças não é apenas adquirir novos conhecimentos, mas saber descartar práticas que perderam o sentido.
O ciclo de perpetuação de um legado – seja na carreira, nos negócios ou na gestão familiar – exige flexibilidade para desapegar de modelos antigos de gestão. “A gente tem que aprender, mas a gente tem que desaprender”, reforçou o fundador da Totvs. “Antes de entrar num processo de sucessão ou de entender o que está acontecendo, às vezes a gente tem que se desapegar daquilo que a gente faz e mudar a maneira como faz. Então, desaprenda as práticas que deixaram de funcionar e vá aprender o novo.”






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