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A combinação de inteligência artificial, imagens de satélite e dados meteorológicos está ampliando a capacidade de prevenção de incêndios no campo. Na safra 2026/27, a Raízen utiliza esses recursos para identificar focos de fogo com antecedência, direcionar equipes de emergência e reduzir o risco de propagação das chamas em áreas agrícolas e ambientais.

A operação é coordenada pela Central de Inteligência Agrícola (CIA), em Piracicaba (SP), que monitora 24 horas por dia cerca de 500 mil hectares de cana-de-açúcar. A estrutura integra a sexta edição da campanha “Quem Ama a Terra, Não Chama o Fogo” e reúne tecnologias de monitoramento, veículos especializados e brigadistas.

Câmeras com IA identificam sinais de incêndio

Um dos recursos incorporados à operação é o uso de câmeras de alta definição instaladas em torres de vigilância e pontos estratégicos. Com algoritmos de visão computacional, os equipamentos analisam imagens para identificar sinais de fumaça e alterações térmicas que possam indicar o início de um incêndio.

Os registros são cruzados com imagens de satélite, sensores instalados no campo e informações de 350 estações meteorológicas. A análise conjunta ajuda a identificar áreas mais vulneráveis, definir onde posicionar as brigadas e avaliar a necessidade de antecipar a colheita em determinados locais.

A proposta é reduzir o intervalo entre a identificação de uma ameaça e a mobilização das equipes de combate. “Nosso objetivo é transformar informação em tempo de resposta. Quanto mais cedo identificamos uma situação de risco, maior é a capacidade de mobilizar as equipes, proteger as áreas próximas e reduzir a possibilidade de propagação do fogo”, destacou em nota Hamilton Jordão, gerente executivo de Operações Agrícolas da Raízen.

Frota especializada reforça combate ao fogo

A estrutura de prevenção conta com 209 veículos dedicados às operações. São 179 caminhões-pipa equipados com canhões d’água automáticos e 30 Veículos de Intervenção Rápida (VIR), preparados para chegar a áreas de acesso difícil e atuar nos estágios iniciais de um incêndio.

Os recursos fazem parte do modelo chamado Brigada 2.0, que combina monitoramento tecnológico, equipamentos especializados e procedimentos operacionais padronizados. Entre as ferramentas utilizadas está o sistema Multiespuma, que mistura água, ar e um líquido gerador de espuma para resfriar a área atingida e ajudar a limitar a propagação do fogo.

Outra técnica empregada é o chamado contra fogo, também conhecido como fogo de encontro. Aplicada por brigadistas capacitados, a estratégia consiste em consumir de forma controlada o material combustível entre o incêndio e uma linha de controle, criando uma barreira para conter o avanço das chamas. A execução exige planejamento e avaliação das condições locais para evitar que o fogo alcance outras áreas.

Operação mobiliza cerca de 1.700 profissionais

A tecnologia é acompanhada por uma estrutura humana de aproximadamente 1.700 pessoas. Desse total, 1.443 brigadistas atuam no patrulhamento, na prevenção e no combate aos incêndios. Outros 347 profissionais cuidam de atividades de apoio, logística e abastecimento.

A Raízen também mantém ações conjuntas com o Corpo de Bombeiros, usinas vizinhas e parceiros regionais por meio dos Planos de Auxílio Mútuo (PAM). A integração permite compartilhar recursos e ampliar a capacidade de resposta em áreas próximas, onde um incêndio pode afetar simultaneamente plantações, vegetação nativa, estradas e comunidades.

Jordão explicou que “a prevenção depende de uma rede integrada. Tecnologia, equipes preparadas e cooperação com as comunidades e instituições que atuam no território são fundamentais para reduzir riscos e preservar as áreas produtivas e o entorno”.

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