
Funcionários usam plataformas de inteligência artificial, contas pessoais, extensões de navegador e recursos integrados a outros sistemas para executar tarefas. O problema é que parte dessas interações pode ocorrer sem visibilidade das equipes de TI e segurança.
Um novo estudo da Akamai Technologies mostra o tamanho desse desafio. O relatório “State of the Internet (SOTI): The Enterprise AI Usage Risk Report 2026” aponta que 47,11% das conversas corporativas com ferramentas de IA são realizadas por identidades pessoais, fora de contas administradas pelas empresas.
A situação também aparece entre usuários que possuem e-mail corporativo. Segundo o levantamento, 14,4% das conversas associadas a esses endereços acontecem por meio de assinaturas pessoais ou planos gratuitos. Esses ambientes não necessariamente estão sujeitos aos mesmos mecanismos de segurança, conformidade e governança disponíveis nas versões empresariais.
Extensões ampliam superfície de ataque
O estudo chama a atenção para o uso de extensões de navegador baseadas em inteligência artificial. Quase 75% delas solicitam permissões consideradas altas ou críticas, incluindo acesso a dados e atividades realizadas no navegador.
As vulnerabilidades também são uma preocupação. De acordo com a pesquisa, 16,31% das extensões de IA analisadas possuem CVEs conhecidas, enquanto a proporção entre extensões em geral é de 10,8%.
O acesso a informações do navegador merece atenção especial. Extensões de IA são quase três vezes mais propensas a solicitar acesso a cookies do que extensões comuns. Além disso, 41,91% pedem permissão para acessar scripts, contra 15,4% das demais extensões.
Shadow AI
A utilização de ferramentas sem aprovação ou acompanhamento corporativo é conhecida como shadow AI. O fenômeno dificulta a identificação de quais sistemas estão sendo utilizados e, principalmente, quais dados são enviados para essas plataformas.
As informações podem circular em prompts, arquivos enviados, códigos, capturas de tela e comandos de copiar e colar. Isso cria novos caminhos para que dados corporativos deixem os ambientes controlados pela organização.
O levantamento indica ainda que a utilização de IA está concentrada em uma parcela dos trabalhadores. Quase 20% usam essas ferramentas semanalmente, enquanto mais de 30% recorrem a elas mensalmente e pouco mais de 40% fazem uso trimestral.
Agentes autônomos mudam o desafio
A expansão da IA também aumenta a complexidade da segurança digital. Entre os novos vetores de ataque citados no estudo estão Vibe Hacking, CursorJacking e CometJacking, técnicas relacionadas a ambientes de desenvolvimento, extensões de navegador e agentes de inteligência artificial.
Outro ponto é o avanço de agentes autônomos e navegadores com IA. Essas tecnologias podem interagir diretamente com sistemas e executar etapas de processos corporativos, aumentando a necessidade de controles específicos.
Para a Akamai, agentes com maior autonomia devem ser tratados como uma nova categoria de identidade dentro das empresas. Isso significa aplicar mecanismos próprios de autenticação, autorização, monitoramento e governança sobre os sistemas e informações aos quais eles têm acesso.
Governança precisa acompanhar adoção
A resposta ao problema não passa apenas por bloquear ferramentas de IA. A recomendação é ampliar a visibilidade sobre como essas tecnologias são utilizadas e estabelecer regras para reduzir a exposição de dados.
Entre as medidas sugeridas estão identificar os funcionários que mais utilizam IA, principalmente aqueles que lidam com informações sensíveis ou processos críticos. As empresas também devem mapear ferramentas usadas pelos trabalhadores e restringir o uso de contas pessoais em atividades corporativas.
O monitoramento das interações também ganha importância. Prompts, uploads, downloads e ações de copiar e colar podem ser acompanhados em tempo real para aplicar políticas de proteção de dados.
A revisão de extensões deve considerar permissões solicitadas, vulnerabilidades conhecidas e comportamento. Já os agentes autônomos precisam operar com acesso mínimo aos recursos necessários, além de monitoramento contínuo dos sistemas e dados acessados.
Sem visibilidade sobre contas, extensões, dados compartilhados e agentes autônomos, parte relevante dessa nova infraestrutura de IA pode estar funcionando fora dos mecanismos de governança.






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