Foto: Jakub Zerdzicki/Unsplash

A corrida das empresas para colocar agentes de inteligência artificial em operação está criando um descompasso dentro das áreas financeiras. Enquanto CFOs e outros executivos são pressionados a mostrar resultados com a tecnologia, governança, controles internos e definição de responsabilidades ainda avançam em um ritmo mais lento.

Os dados são da pesquisa “Agentes da Mudança: Como a corrida pela implantação de agentes de IA está superando a governança financeira”, da Avalara, realizada pela Censuswide com 1.505 CFOs e líderes seniores de finanças dos Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Austrália. Todos os participantes atuaram, no último ano, em iniciativas relacionadas a agentes de IA, seja em projetos-piloto, avaliações ou implementações.

Pressão por retorno aumenta

A cobrança por resultados financeiros é um dos principais pontos do levantamento. Segundo a pesquisa, 92% dos executivos consultados sentem pressão moderada ou significativa para provar que os investimentos em agentes de IA estão trazendo retorno. Para metade deles, essa pressão é considerada significativa.

O problema é que a entrega ainda não acompanha a expectativa em boa parte das empresas. Metade dos entrevistados afirma ter obtido apenas um ROI mensurável limitado com as iniciativas de agentes de IA. Além disso, 71% dizem que a pressão interna está concentrada principalmente na velocidade de implantação.

A governança, por outro lado, aparece em uma posição menos prioritária. Apenas 7% afirmam que suas empresas colocam governança à frente da velocidade de adoção.

Controles não acompanham agentes

A diferença entre adoção e estrutura de controle também aparece nos processos financeiros. Cerca de 30% das organizações não atualizaram seus controles internos no último ano para considerar situações em que agentes de IA passaram a recomendar ou executar ações.

Outro dado chama atenção para a dificuldade de explicar decisões tomadas por esses sistemas. Apenas uma parcela dos entrevistados demonstra alta confiança na capacidade de sua empresa de justificar as ações de um agente diante de auditores ou órgãos reguladores. Para 44%, essa confiança é apenas moderada.

Hugo Sarrazin, CEO da Avalara, destacou em nota que “os líderes financeiros estão certos em agir rapidamente para aproveitar as oportunidades oferecidas pela IA agêntica, mas velocidade sem responsabilidade cria novas formas de risco, e velocidade sem a revisão dos fluxos de trabalho limita o retorno sobre o investimento. As organizações que irão obter maior valor da IA não serão simplesmente aquelas que implantarem mais agentes. Elas utilizarão agentes apoiados por dados confiáveis, fluxos de trabalho governados e controles claros, capazes de viabilizar a automação com segurança e confiança”.

Quem responde por um erro?

A definição de responsabilidade é outro ponto ainda pouco resolvido. Para 23% dos participantes, não está claro quem seria responsabilizado caso um agente de IA cometesse um erro grave. Outros 16% acreditam que a responsabilidade final poderia recair pessoalmente sobre o executivo que aprovou o investimento na tecnologia.

Também existe uma lacuna de conhecimento especializado. O levantamento aponta que 76% das empresas não possuem profissionais internos dedicados a entender o funcionamento dos agentes de IA. Nesses casos, o conhecimento fica concentrado nas equipes de tecnologia da informação ou nos próprios fornecedores.

“Os líderes financeiros estão sendo pressionados a acelerar a adoção da IA, mas a governança de agentes exige uma nova combinação de conhecimentos de negócio, inteligência artificial, tecnologia da informação e governança de dados. À medida que os agentes de IA passam a acessar fluxos de trabalho financeiros e de compliance, as organizações precisam saber quais informações esses agentes podem acessar, quais ações podem executar e quando a aprovação humana é obrigatória. Esse nível de controle precisa ser incorporado à arquitetura da solução desde o início, e não adicionado posteriormente”, explicou também em nota Frank Cirone, vice-presidente de Estratégia Comercial da Snowflake.

Confiança passa a pesar na expansão

Apesar das dificuldades, os executivos consultados não defendem uma redução no uso da inteligência artificial. O levantamento indica que a questão está mais relacionada às condições necessárias para ampliar a adoção com segurança.

Entre os fatores que poderiam aumentar a confiança nos agentes de IA, 27% citaram a operação dentro dos sistemas de registro já utilizados pelas empresas. Outros 25% apontaram resultados baseados em dados financeiros, tributários e de compliance verificados. A mesma proporção destacou a validação das ações de acordo com requisitos de compliance previamente definidos.

Compromissos dos fornecedores com precisão e responsabilidade foram mencionados por 24%. Já 23% consideraram importantes os registros de auditoria capazes de documentar as ações realizadas pelos agentes.

Na prática, recursos de rastreabilidade e atualização também aparecem entre as funcionalidades mais valorizadas. Para 30% dos entrevistados, a documentação pronta para auditoria de todas as ações dos agentes seria uma das ferramentas mais importantes. O mesmo percentual apontou o monitoramento contínuo de mudanças regulatórias, acompanhado da aplicação de atualizações em tempo real.

A pesquisa completa (em inglês) está disponível neste link.

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