Foto: Jesus Adrián Saavedra/Pexels

As mudanças climáticas já se tornaram um problema financeiro para muitas as empresas. Segundo o estudo “Sustentabilidade em Ação 2026”, 94% dos líderes empresariais entrevistados afirmam que eventos e disrupções climáticas provocaram perdas financeiras nos últimos dois anos. Em 30% dos casos, os prejuízos ultrapassaram US$ 1 milhão.

O levantamento, realizado pela Sweep em parceria com a Capgemini, ouviu 1.000 executivos seniores dos Estados Unidos, Reino Unido, França, região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça) e países nórdicos. A pesquisa dá continuidade a uma edição publicada em 2024 e aponta uma piora na percepção sobre a qualidade dos dados de sustentabilidade usados pelas companhias.

Dados ainda fragmentados

O problema é que as empresas estão enfrentando impactos financeiros maiores justamente quando têm dificuldade para transformar informações ambientais em dados úteis para o negócio. Hoje, 79% dos entrevistados consideram insuficientes os dados de sustentabilidade disponíveis para apoiar uma estratégia empresarial mais ampla. Em 2024, esse percentual era de 53%.

Parte da dificuldade está na própria estrutura das informações. Os dados continuam espalhados por diferentes sistemas e áreas, além de apresentarem problemas de padronização e completude. Isso reduz a capacidade das empresas de calcular custos, antecipar riscos e tomar decisões com base em informações ambientais confiáveis.

A dimensão financeira do problema também chama atenção: apenas uma em cada cinco empresas registrou impacto inferior a US$ 100 mil provocado pelas disrupções climáticas. Para a maioria, os efeitos já chegam a custos relevantes e atingem áreas como cadeia de suprimentos, compras, investimentos e gestão de riscos.

Rachel Delacour, cofundadora e CEO da Sweep, apontou em nota que “a sustentabilidade não perdeu espaço na pauta empresarial, na verdade, ocorre o oposto. Há um risco crescente para as empresas à medida que as mudanças climáticas e as tensões geopolíticas continuam a impactar as cadeias de suprimentos, os custos e as decisões de investimento mais rapidamente do que os sistemas de dados desenvolvidos para gerenciá-los”.

Sustentabilidade como estratégia

Mesmo diante das perdas, a percepção sobre a importância econômica da sustentabilidade permanece elevada. O levantamento mostra que 85% dos executivos consideram necessária uma transformação dos negócios para uma economia de baixo carbono. Outros 86% enxergam essa mudança como uma oportunidade de crescimento.

A questão, portanto, não parece ser a falta de reconhecimento sobre o valor da sustentabilidade, mas a capacidade de produzir informações que possam orientar decisões. Com dados dispersos ou pouco confiáveis, iniciativas relacionadas à redução de emissões, resiliência operacional e gestão de riscos ficam mais difíceis de medir e priorizar.

O cenário também ganhou complexidade com a combinação de eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e instabilidade econômica. Para as empresas, esses fatores podem afetar simultaneamente fornecedores, custos operacionais, disponibilidade de recursos e decisões de investimento.

IA transforma dados em decisões

A inteligência artificial aparece como uma das ferramentas usadas para enfrentar parte desse desafio. De acordo com o estudo, 79% dos entrevistados afirmam que a adoção de IA contribuiu para ampliar os investimentos em sustentabilidade.

Os ganhos apontados envolvem diferentes etapas da gestão de dados. Entre eles estão o acesso a investimentos, maior precisão das informações, preparação para auditorias e redução do tempo gasto na coleta e no processamento de dados.

Para Cyril Garcia, Líder Global de Serviços de Sustentabilidade, Responsabilidade Corporativa e membro do Conselho Executivo do Grupo Capgemini, a tecnologia depende de uma base de informações integrada para entregar resultados mais consistentes. Em nota, Garcia destacou que “a resiliência não se resume mais apenas à gestão de riscos. Trata-se de antecipar disrupções e agir com confiança. Dados confiáveis ​​e conectados em toda a cadeia de valor são a base para permitir que a IA aprimore o desempenho da cadeia de suprimentos, avance nos resultados de sustentabilidade e crie vantagem competitiva sustentável para as organizações”.

A qualidade dos dados passa a ter peso estratégico à medida que as empresas utilizam informações de sustentabilidade para decidir onde reduzir custos, como proteger suas cadeias de suprimentos e quais riscos devem ser tratados primeiro.

“Os líderes empresariais enfrentam pressão para responder às enormes perdas financeiras causadas por mudanças geopolíticas, eventos climáticos extremos e condições econômicas incertas. Os dados de sustentabilidade são uma resposta para tudo isso, pois fornecem insights sobre onde esses riscos afetam o negócio, quanto estão custando e onde se deve agir primeiro”, acrescentou Rachel.

O estudo completo (em inglês) está disponível neste link.

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