
A inteligência artificial está mudando a operação dos times de tecnologia da B3. A bolsa brasileira reduziu em 40% o tempo necessário para entregar produtos e multiplicou por cinco sua capacidade de desenvolver soluções nos últimos dois anos. A evolução acompanha uma expansão no uso de modelos de linguagem e agentes de IA dentro da companhia.
Hoje, a B3 trabalha com um catálogo de 35 LLMs e cerca de 3 mil agentes de inteligência artificial distribuídos por diferentes atividades de tecnologia. As ferramentas apoiam tarefas que vão da programação à criação de protótipos e automação de testes.
IA encurta ciclo de desenvolvimento
A tecnologia passou a fazer parte de várias etapas do desenvolvimento de software. Os times utilizam IA para gerar e revisar código, testar aplicações, criar protótipos e desenvolver novos sistemas.
O efeito aparece principalmente na velocidade de execução. Com mais etapas automatizadas ou apoiadas por IA, os profissionais conseguem reduzir o tempo entre a construção de uma solução, os testes e sua disponibilização.
Para a B3, esse ganho tem impacto direto sobre a capacidade de atender demandas de bancos, corretoras, investidores e outros participantes do mercado financeiro. A infraestrutura da companhia precisa acompanhar mudanças tecnológicas e novas necessidades do ecossistema, sem abrir mão dos controles necessários para uma operação crítica.
“A inteligência artificial amplia a capacidade dos nossos times e muda a velocidade com que conseguimos desenvolver e colocar novas soluções em produção. Esse ganho de produtividade e qualidade permite responder com mais agilidade às necessidades do mercado, mantendo os processos de validação e os padrões de segurança necessários para uma infraestrutura crítica”, apontou em nota Thiago Suzano, diretor de Tecnologia da B3.
Governança acompanha expansão
O aumento do uso de IA não significa, segundo a companhia, retirar as pessoas das etapas de decisão. As soluções desenvolvidas com apoio dos modelos passam por validações antes de chegar à operação.
A B3 mantém processos de supervisão para avaliar as aplicações e os resultados produzidos pelas ferramentas. As equipes continuam responsáveis por revisar e aprovar as soluções utilizadas nos ambientes da companhia.
A experiência também reforçou a necessidade de estabelecer regras para o uso da tecnologia. Na prática, a expansão da inteligência artificial passou a depender não apenas da disponibilidade dos modelos, mas de processos de controle, acompanhamento e validação.
Em uma infraestrutura ligada ao mercado de capitais, a busca por produtividade precisa caminhar junto com requisitos de segurança e confiabilidade. Por isso, o avanço da IA na B3 combina automação e maior capacidade de desenvolvimento com supervisão humana sobre as soluções colocadas em produção.






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