
A inteligência artificial agêntica começa a redesenhar o mercado global de serviços de tecnologia e pode abrir uma oportunidade estimada em US$ 200 bilhões para provedores do setor. A avaliação é do relatório “The $200 Billion Agentic AI Opportunity for Tech Service Providers”, produzido pelo Boston Consulting Group a partir de pesquisas com mais de 190 executivos de empresas e fornecedores de tecnologia.
O estudo analisa o avanço de sistemas capazes de executar tarefas com maior autonomia, realizando raciocínio em múltiplas etapas, tomando decisões e operando fluxos de trabalho complexos. O movimento amplia a pressão sobre empresas de tecnologia para adaptar modelos operacionais, serviços e estratégias comerciais diante de uma nova fase da automação corporativa.
Segundo o levantamento, grandes ondas tecnológicas já vinham ampliando o peso da tecnologia na economia global. Entre 2010 e 2025, os gastos com TI passaram de cerca de 4% para mais de 5,5% do PIB mundial. No mesmo período, o PIB global avançou de aproximadamente US$ 70 trilhões para quase US$ 120 trilhões, elevando o mercado global de tecnologia para perto de US$ 7 trilhões anuais.
Mercado projeta expansão bilionária
A pesquisa mostra que a IA agêntica começa a ganhar escala nas operações corporativas. Cerca de um terço das empresas entrevistadas afirma já estar expandindo implementações desse tipo de solução. Além disso, dois terços dos executivos esperam que provedores de tecnologia assumam a construção e a operação de casos de uso considerados estratégicos.
“Nesse contexto macroeconômico, uma análise por segmento mostra um aumento líquido de até US$ 200 bilhões no mercado endereçável total nos próximos cinco anos. No geral, isso resultaria em uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 6% a 8% para serviços de tecnologia até 2030” comentou em nota Alexandre Montoro, diretor executivo e sócio do BCG.
Apesar do avanço, os ganhos financeiros ainda aparecem de forma limitada em parte das implementações. Aproximadamente 60% das empresas afirmam que ainda não identificaram melhorias mensuráveis no custo total de propriedade em iniciativas envolvendo IA agêntica. O dado evidencia um cenário em que organizações buscam aplicações mais maduras e resultados operacionais concretos antes de ampliar investimentos.
Mudança nos modelos de contratação do setor
O relatório também aponta um desalinhamento entre clientes e fornecedores em relação aos modelos comerciais. Mais de 70% dos executivos corporativos demonstram preferência por contratos vinculados a resultados e desempenho em serviços de experiência do cliente e terceirização de processos. Em contrapartida, cerca de 60% dos provedores ainda operam majoritariamente com formatos tradicionais, como cobrança por tempo de serviço ou preço fixo.
Montoro ainda destacou que “o sucesso não virá simplesmente da incorporação de IA em serviços existentes. Exigirá uma reinvenção mais fundamental em torno das capacidades de IA agêntica. Os provedores que agirem cedo e com intenção clara ditarão o ritmo da indústria”.
Serviços de tecnologia caminham para operações mais enxutas
Para o BCG, a tendência deve acelerar mudanças estruturais no setor. Entre as recomendações apresentadas aos provedores estão a reformulação de portfólios com soluções agênticas integradas, o fortalecimento de ecossistemas de parceiros, a adoção de métricas claras de impacto e a revisão das estratégias de talentos e qualificação profissional.
O estudo projeta ainda mudanças relevantes nas estruturas operacionais das empresas de serviços de tecnologia. Os provedores consultados esperam uma redução de 10% a 20% nas camadas tradicionais de entrega nos próximos dois anos, impulsionada pela incorporação de IA agêntica aos fluxos de trabalho corporativos.
O estudo, em inglês, está disponível neste link.






Sem comentários registrados