
O mercado brasileiro de tecnologia deve atravessar um novo ciclo de expansão nos próximos anos, impulsionado pelo avanço da computação em nuvem, inteligência artificial e infraestrutura digital. A projeção é da Brasscom, que estima investimentos de até R$ 2 trilhões em tecnologias digitais entre 2026 e 2029.
Os dados fazem parte do “Relatório Setorial 2025” do macrossetor de TIC e indicam uma aceleração da digitalização da economia brasileira. A nuvem deve concentrar R$ 765,6 bilhões em aportes no período, enquanto a inteligência artificial deve receber R$ 736,6 bilhões. As duas tecnologias aparecem como os principais motores do crescimento do setor nos próximos anos, acompanhadas por investimentos em análise de dados, segurança cibernética, internet das coisas e automação industrial.
Em 2025, o macrossetor de TIC movimentou R$ 919,7 bilhões no Brasil, valor equivalente a 7,2% do PIB nacional. O crescimento foi de 15% em relação ao ano anterior. Considerando apenas o mercado de TIC, o volume chegou a R$ 498 bilhões, com alta de 22,5%.
Nuvem e hardware aceleram nova fase
A computação em nuvem foi um dos segmentos com maior avanço no período. O mercado alcançou R$ 85 bilhões em 2025, crescimento de 35,5% na comparação anual. O desempenho reforça a consolidação da nuvem como base operacional para aplicações de inteligência artificial, armazenamento de dados e digitalização corporativa.
Outros segmentos também registraram expansão relevante. O mercado de hardware movimentou R$ 158,6 bilhões, com crescimento de 26,1%, enquanto o segmento de dispositivos alcançou R$ 139,8 bilhões, avanço de 27,2%. As exportações de TIC somaram R$ 62 bilhões e as importações chegaram a R$ 254,9 bilhões.
“O relatório confirma que o Brasil vive uma mudança estrutural na forma como empresas, governo e sociedade consomem tecnologia. A perspectiva de até R$ 2 trilhões em investimentos até 2029 mostra que nuvem e inteligência artificial já são centrais para a competitividade do país”, contou em nota Affonso Nina, Presidente Executivo da Brasscom.
Crescimento do setor impulsiona empregos qualificados
O relatório aponta ainda que o Brasil voltou ao grupo dos dez países que mais investem em tecnologia no mundo. Em 2024, os gastos nacionais em TI cresceram 13,9%, acima da média global, em um cenário internacional marcado pela expansão acelerada da inteligência artificial e da infraestrutura digital.
No mercado de trabalho, o macrossetor encerrou 2025 com 2,125 milhões de empregos formais. Foram criadas 31,3 mil vagas ao longo do ano, com destaque para software e serviços de TIC, áreas que concentram funções de maior qualificação técnica.
Os salários também seguem acima da média nacional. Em software, a remuneração média chega a ser 2,9 vezes superior à média do país. Já nos serviços de TIC, os salários são 2,2 vezes maiores. Segundo o estudo, 58,8% dos profissionais de TI atuam em desenvolvimento de sistemas, atividade que segue no centro da transformação digital das empresas.
O levantamento mostra avanços graduais em diversidade. As mulheres representam 39,2% da força de trabalho do setor, aumento de 1,1 ponto percentual nos últimos seis anos. No mesmo período, a diferença salarial entre homens e mulheres recuou 6,6 pontos percentuais. A participação de profissionais negros chegou a 33,3%, embora o estudo indique que ainda existem desafios para ampliar a presença em cargos de liderança.
Crescimento da conectividade reforça demanda por infraestrutura digital
Na área de conectividade, o relatório mostra que 85% da população brasileira já possui acesso à internet. O celular permanece como principal meio de conexão: 65% dos usuários acessam a rede exclusivamente pelo dispositivo móvel. As conexões M2M voltadas à internet das coisas ultrapassaram 30 milhões de terminais ativos, refletindo o avanço da automação e da digitalização em diferentes setores da economia.
A expectativa da Brasscom é de continuidade do crescimento nos próximos anos, sustentado pela expansão das tecnologias emergentes e pela demanda crescente por infraestrutura, qualificação profissional e políticas voltadas à inovação. O desafio, segundo a entidade, será transformar o volume de investimentos em ganhos de produtividade, competitividade e desenvolvimento econômico de longo prazo.
O relatório completo está disponível neste link.






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