
Os ataques de ransomware atingiram o maior volume dos últimos 12 meses em julho. Ao todo, 955 vítimas foram registradas no mundo, número 33,9% superior ao de junho, quando 713 ocorrências haviam sido contabilizadas. O resultado também ultrapassou o recorde anterior, de 881 vítimas, registrado em dezembro de 2025.
Os dados são da Ransomware.live, plataforma que acompanha casos de ransomware e vazamentos de dados. O levantamento é divulgado mensalmente pela Cohesity e mostra um forte crescimento das ocorrências no período. No Brasil, 26 organizações foram vítimas de ataques em julho. O número representa três casos a mais que em junho e eleva para 120 o total de incidentes registrados no país ao longo de 2026.
Apesar do aumento nacional, o Brasil caiu da terceira para a sexta posição entre os países com mais vítimas. A mudança não ocorreu por uma redução expressiva dos ataques brasileiros, mas pelo crescimento ainda maior em outros mercados. Espanha e Turquia são exemplos dessa movimentação. Os dois países não haviam registrado vítimas em junho, mas apareceram entre os dez mais afetados em julho, com 24 e 22 ocorrências, respectivamente.
Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina, contou em nota que “esse aumento no Brasil acompanha uma escalada global agressiva que não está concentrada em uma única região. O ransomware se tornou um risco crítico de paralisação de negócios. A alta atividade de ameaças em julho é um alerta de que as defesas tradicionais estão sendo burladas. Hoje, a prioridade das empresas deve ser a resiliência: garantir que, se forem atacadas, consigam recuperar seus dados rapidamente e com segurança, sem ceder ao pagamento de resgates”.
Setores estratégicos sofrem mais ataques
O levantamento mostra que empresas B2B continuam entre os principais alvos dos criminosos, com 176 vítimas em julho. O volume cresceu 25,7% em relação ao mês anterior. A indústria aparece logo depois, com 152 ocorrências e alta de 34,5%.
Os maiores avanços, porém, foram registrados em tecnologia e serviços financeiros. O setor de tecnologia teve 126 vítimas, crescimento de 68%. Já os serviços financeiros passaram de um volume menor de ocorrências para 50 casos, uma alta de 72,4%.
O setor de saúde também registrou crescimento, com 85 vítimas e aumento de 54,5%. Varejo e e-commerce tiveram 70 casos, enquanto governo e defesa e transportes registraram 37 ocorrências cada. Entre os dez setores mais atingidos, apenas agricultura e produção de alimentos apresentou queda. O segmento contabilizou 37 vítimas, 5,1% menos que em junho.
Estados Unidos concentram maior número de casos
Os Estados Unidos continuam liderando o levantamento com ampla vantagem. Foram 318 vítimas em julho, 59% acima do resultado de junho. O país sozinho respondeu por uma parcela significativa do crescimento global registrado no mês. A Alemanha ficou em segundo lugar, com 58 casos, seguida pelo Reino Unido, com 39. Canadá, Itália e Brasil completaram as seis primeiras posições, com 32, 30 e 26 vítimas, respectivamente.
Índia, Espanha, França e Turquia fecharam a lista dos dez países mais afetados. A distribuição mostra que o avanço do ransomware ocorreu em diferentes mercados e setores, sem ficar restrito a uma região específica.
Os números da Ransomware.live também ajudam a dimensionar a mudança ao longo do último ano. Em agosto de 2025, foram identificadas 530 vítimas. O volume subiu para 598 em setembro e chegou a 839 em outubro.
Depois de oscilações nos meses seguintes, os registros voltaram a crescer em 2026. Janeiro teve 869 vítimas, enquanto fevereiro registrou 845. Março ficou em 785 casos, abril em 791 e maio em 700.
Em junho, foram 713 vítimas. Já julho encerrou o período com 955 ocorrências, estabelecendo o maior resultado da série de 12 meses e mostrando uma aceleração relevante na quantidade de ataques de ransomware registrados globalmente.






Sem comentários registrados