Quem viveu a revolução da música digital no final dos anos 1990 certamente associa o nome Napster ao compartilhamento de arquivos MP3. No entanto, no palco do HumanX Amsterdam, o CEO da companhia, John Acunto, deixou claro que o foco da empresa agora é outro: o “streaming de inteligência“.

A plataforma passa por um momento de transição no qual a música fica em segundo plano para dar lugar a uma nova infraestrutura de agentes virtuais humanizados, projetados para transformar a experiência de consumo na web e no varejo físico.

Durante apresentação, Acunto explicou que a transição começou a ganhar força no início do ano e marca uma nova fase disruptiva para a empresa. “Passou de streaming de música para streaming de inteligência. Nós meio que desaceleramos o lado da música, deixamos isso ir para o segundo plano e começamos o streaming de inteligência por meio da nossa plataforma de agentes”, afirmou.

Foco no lado humano

E nessa virada, o executivo afirma que a empresa quer fugir das ofertas padrão. Diferentemente de chatbots convencionais que apenas respondem a comandos de texto simples, a proposta da Napster se apoia na criação de agentes com avatares, personalidade e memória contínua. Segundo o executivo, o objetivo é colocar o fator humano no centro da automação, reduzindo o atrito na navegação do consumidor e criando uma experiência semelhante ao atendimento personalizado de grandes marcas de luxo.

O diferencial técnico da solução reside na integração contínua entre os canais virtuais e físicos e no framework batizado pela empresa de Capturar, Aprender, Agir. “A nossa abordagem é algo que chamamos de Capturar, Aprender, Agir. Quando as empresas têm um agente no seu site, elas conseguem capturar um conjunto totalmente novo de informações que não têm hoje”, destacou Acunto.

O executivo ressaltou ainda que o maior potencial de crescimento para os e-commerces não está nas conversões que já acontecem, mas sim em entender a grande maioria que abandona a página sem comprar.

“Se meu site converte 3% dos clientes e eu tenho um programa de Capturar e Aprender com um agente, eu não estou focado nos 3%. Estou focado em: por que 97% das pessoas não compraram no meu site?”, provocou o executivo, lembrando que o papel da tecnologia é, essencialmente, “reduzir o atrito”.

Outro ponto de destaque apresentado é a persistência de memória do agente. A ideia é que o consumidor possa iniciar uma conversa no site e, ao visitar uma loja física, interagir com o mesmo agente (via dispositivos como a “Station” da Napster), que lembrará do seu histórico de navegação e preferências de produtos.

Soberania das empresas

Antes de deixar o palco, John Acunto abordou um dos temas mais críticos da inteligência artificial generativa: o receio generalizado de entregar dados corporativos e pessoais para LLMs genéricos do mercado.

Para o CEO da Napster, manter a soberania e a propriedade intelectual das informações é crucial para garantir a inovação e preservar a própria essência humana nos negócios. “Quase todo mundo está construindo modelos ao redor dos seus dados, dos dados da sua empresa. Você quer ser dono das suas ideias, porque ideias levam à inovação, e inovação é a humanidade. Quando vendemos nossos dados, vendemos nossa humanidade para a IA”, pontuou Acunto.

Ao questionar a plateia sobre quem gostaria de ceder integralmente seus dados a um grande modelo genérico e ninguém levantou a mão, o CEO resumiu o sentimento do mercado e reforçou a postura da Napster em garantir que as marcas mantenham a posse sobre suas próprias inteligências e históricos de clientes.

“A IA tem inteligência, mas não consciência. Precisamos continuar lutando para garantir que os dados nos permitam usar nossa presença consciente para guiar o futuro”, concluiu.

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