Foto: Ashes Sitoula/Unsplash

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) divulgou o primeiro Relatório de Impacto de sua história, com um balanço das ações realizadas no primeiro semestre de 2026. O documento detalha projetos ligados à expansão da conectividade no Brasil, além de mudanças na governança, gestão financeira e processos internos da entidade.

Entre os números apresentados estão mais de 250 mil famílias atendidas pelo Brasil Antenado, cerca de 4 mil quilômetros de fibra óptica implantados na Amazônia e 2.250 quilômetros de fibra lançados para as Redes Privativas de Comunicação da Administração Pública Federal. A EAF também informa uma economia de R$ 17,2 milhões obtida a partir da revisão de contratos e das negociações com fornecedores.

Conectividade para famílias

Um dos principais resultados está no Brasil Antenado, programa que distribui gratuitamente a nova parabólica digital para famílias inscritas no CadÚnico em regiões onde a recepção do sinal de TV aberta é inexistente ou insuficiente.

Mais de 131 mil famílias receberam o equipamento apenas nos primeiros seis meses de 2026. Com os resultados acumulados, o programa ultrapassou a marca de 250 mil famílias beneficiadas. As etapas B e C chegaram a 246 municípios, com 99% das ordens de serviço concluídas dentro do prazo.

A operação também passou por mudanças no atendimento. A taxa de conversão de contatos em agendamentos subiu de cerca de 69% para 90%. Para chegar a populações em áreas remotas, a EAF trabalhou com lideranças indígenas, Funai e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Fibra óptica na Amazônia

Na região amazônica, a EAF concluiu três trechos do programa Norte Conectado. As Infovias 02, 03 e 04 totalizam aproximadamente 4 mil quilômetros de fibra óptica instalados ao longo de três anos.

A infraestrutura passa por 22 localidades e pode atender serviços públicos como escolas, hospitais, unidades do Tribunal de Justiça, praças, instalações das Forças Armadas e unidades da Funai. Ao todo, estão incluídas 217 escolas, 22 hospitais e 18 unidades do Tribunal de Justiça, entre outros pontos.

A Infovia 05, instalada no Rio Madeira, também avançou e chegou a 62% de execução no primeiro semestre. A entidade ainda realizou estudos preparatórios para as Infovias 06 e 08.

Rede exclusiva para órgãos públicos

As Redes Privativas de Comunicação da Administração Pública Federal também tiveram avanços durante o período. O projeto busca criar uma infraestrutura dedicada para comunicações estratégicas de órgãos públicos.

Até junho, foram lançados 2.250 quilômetros de fibra óptica em 22 capitais. A implantação também avançou para 108 Pontos de Presença (POPs). Aracaju foi a primeira capital a conectar prédios públicos à nova estrutura.

A rede móvel ganhou uma integração entre sistemas utilizados pela Polícia Militar do Distrito Federal, Exército Brasileiro, Polícia da Câmara dos Deputados e Polícia do Senado Federal. A medida permite a comunicação entre instituições que operam tecnologias diferentes.

Nova estrutura de governança

Além dos projetos de infraestrutura, o relatório mostra mudanças na própria organização da EAF. Em 2026, foram criados os Conselhos Deliberativo e Fiscal, ampliando as instâncias de acompanhamento e fiscalização da entidade.

A mudança ocorreu junto com a chegada de uma nova Diretoria Executiva, a estrutura interna foi revisada, com alterações nos processos de decisão e nos mecanismos de controle. As operadoras Claro, TIM e Vivo continuam como associadas, enquanto o Gaispi mantém a função de acompanhar o cumprimento das obrigações previstas no edital do 5G.

Gina Marques Duarte, presidente da EAF, contou em nota que “uma organização responsável por projetos dessa dimensão precisa demonstrar não apenas o que entrega, mas também como trabalha e como administra os recursos sob sua responsabilidade. O Relatório de Impacto nasce com esse propósito: dar mais transparência à nossa atuação e permitir que a sociedade acompanhe, de forma objetiva, os resultados da EAF. Queremos transformar essa prestação de contas em uma prática permanente”.

As mudanças administrativas foram realizadas paralelamente à execução dos projetos. “Neste primeiro semestre, concentramos esforços em fortalecer a gestão e a governança da EAF. Estruturamos processos, ampliamos a integração entre as áreas e reforçamos mecanismos de transparência, controle e responsabilidade institucional. Nosso objetivo é entregar com ainda mais eficiência, segurança e capacidade de execução”, complementou Gina.

Economia e prestação de contas

A gestão financeira passou por alterações e a EAF criou novos procedimentos para aprovação e acompanhamento de despesas, adotou rotinas de fechamento mensal e passou a realizar projeções periódicas do orçamento. A base de contratos também foi revisada.

As mudanças na política de compras e a renegociação com fornecedores resultaram em uma economia de R$ 17,2 milhões no primeiro semestre.

O novo relatório faz parte de uma política de transparência que deverá continuar nos próximos anos. A EAF pretende transformar a publicação em um anuário, reunindo informações sobre resultados operacionais, gestão administrativa e financeira, governança, desafios e próximos projetos.

“Transparência não pode se limitar a responder quando uma informação é solicitada. Precisamos ter uma postura ativa de prestação de contas, mostrando o que fazemos, quais resultados alcançamos e como os recursos são administrados. O anuário nasce dessa visão e passa a integrar a política de comunicação da EAF. A proposta é que, todos os anos, a sociedade tenha acesso a um retrato claro da nossa atuação administrativa, financeira e operacional, inclusive dos desafios e dos próximos passos da entidade”, explicou também em nota Leonardo Waideman Liébana, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da EAF.

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