
A inteligência artificial está começando a assumir tarefas de forma mais autônoma. A pesquisa “Uma vida agêntica: como o uso de IA pelos consumidores está moldando as necessidades futuras das redes”, da Ericsson ConsumerLab, indica que a IA agêntica, capaz de executar atividades em nome das pessoas, pode ganhar espaço rapidamente nos smartphones nos próximos anos.
Hoje, cerca de 4% dos usuários de smartphones já utilizam algum recurso de IA agêntica. O levantamento ouviu mais de 43 mil pessoas entre 15 e 69 anos em 27 mercados, incluindo o Brasil, e mostra que a expectativa de adoção é bem maior para o fim da década.
Mais tarefas delegadas à IA
Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados esperam usar aplicativos ou funcionalidades baseadas em IA agêntica em seus smartphones até 2030. A tecnologia deve avançar justamente em atividades que hoje exigem interação direta com aplicativos e serviços.
Entre os usos citados estão o agendamento e a coordenação de compromissos, a comparação de produtos, o controle de compras recorrentes e o acompanhamento de informações relacionadas à saúde. A estimativa dos consumidores é que esse tipo de automação possa economizar até uma hora por dia em tarefas de navegação na internet.
O movimento também acompanha a expansão da chamada IA multimodal. Atualmente, aproximadamente 10% dos donos de smartphones são classificados pela Ericsson como “superusuários” de IA, por utilizarem esses recursos de maneira intensa. A projeção é que essa parcela chegue a cerca de 30% até 2030.
Superusuários antecipam mudanças
O comportamento desse grupo também ajuda a dimensionar o impacto que a IA pode ter no uso cotidiano dos celulares. Hoje, os superusuários passam cerca de 2,5 vezes mais tempo em aplicativos e serviços de IA do que o usuário médio.
Até 2030, a expectativa é de que essa diferença aumente. A previsão da pesquisa aponta para um uso aproximadamente quatro vezes maior entre os superusuários em comparação com a média dos usuários de smartphones.
“Vimos muitas vezes que o comportamento e as expectativas dos early adopters — neste caso, os superusuários de IA — são fortes indicadores de uma adoção muito mais ampla que vem a seguir. Acreditamos que o mesmo acontecerá com o uso da IA agêntica. O crescimento da IA multimodal e agêntica não apenas criará novas expectativas dos consumidores em relação à qualidade da rede e à experiência de uso, mas também resultará em um aumento significativo das ações realizadas em segundo plano nas redes, que precisarão ser tratadas de forma segura e eficiente”, comentou em nota Jasmeet Singh Sethi, Head do Ericsson ConsumerLab.
Redes terão novo papel
A pesquisa da Ericsson também aponta que a expansão dos agentes de IA pode criar novas demandas para as operadoras de telecomunicações. Os consumidores esperam que os provedores de serviços de comunicação tenham participação em temas como identificação dos agentes, segurança das redes móveis e conectividade.
A percepção sobre a qualidade da conexão também aparece associada à experiência dos superusuários de IA. Para Sethi, esses dados podem ajudar as operadoras a avaliar como suas redes precisarão evoluir diante do aumento das interações automatizadas.






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