
A escalada dos ataques digitais e a sofisticação das ameaças têm impulsionado uma mudança na forma como empresas organizam suas estratégias de proteção. Mais do que fortalecer sistemas, organizações vêm ampliando o escopo da cibersegurança para decisões críticas do negócio, como a seleção de fornecedores e a gestão de riscos ao longo da cadeia. Os critérios tradicionais já não são suficientes e a segurança passa a ser variável estratégica.
Esse movimento também reposiciona o perfil dos profissionais demandados. Segundo a ESET, o mercado busca cada vez mais especialistas capazes de conectar conhecimento técnico à operação real das empresas. A capacidade de traduzir riscos em ações práticas, priorizar vulnerabilidades e propor respostas viáveis ganha peso diante de um cenário mais dinâmico e interdependente.
Thales Santos, Senior Sales Engineer da ESET no Brasil, explicou em nota a expansão do perfil de profissional para a área. “Hoje, mais do que uma formação específica, o que pesa é a capacidade de aprender rápido, se adaptar e entender como a segurança impacta o funcionamento da empresa. Plataformas de e-commerce, sistemas de gestão de dados e outros parceiros precisam demonstrar maturidade em segurança para evitar brechas que possam comprometer clientes, informações sensíveis e a reputação da empresa. Sendo assim, boas práticas, políticas de privacidade e conformidade com regulamentos como a LGPD já entram diretamente na pauta de negociação”.
A nova cara da cibersegurança
A composição das equipes acompanha essa mudança. Em vez de perfis exclusivamente técnicos, cresce a valorização de trajetórias diversas, que incluem experiência em processos, gestão e análise. Santos destacou que “quem junta conhecimento técnico básico com capacidade de negociar, influenciar e alinhar diferentes áreas tende a se destacar, até em trajetórias que depois migram para gestão de riscos ou compliance”. A lógica reflete a natureza multifatorial dos riscos cibernéticos, que envolvem não apenas sistemas, mas também comportamento humano, rotinas operacionais e tomada de decisão.
Outro eixo que se consolida é o aprendizado contínuo como requisito básico. A velocidade de evolução das ameaças exige atualização constante, tanto em ferramentas quanto em abordagens. Na prática, isso amplia as portas de entrada para a área, permitindo a migração de profissionais de diferentes setores para funções ligadas à segurança, especialmente em frentes como compliance digital e gestão de terceiros.
A comunicação e a visão de negócio também ganham protagonismo. Profissionais capazes de alinhar estratégias de segurança às prioridades corporativas tendem a gerar mais valor, conectando proteção a eficiência operacional e sustentabilidade do negócio.






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