
A sobrecarga estrutural dos sistemas de saúde e o aumento da complexidade assistencial vêm pressionando hospitais a rever seus processos operacionais. A digitalização deixa de ser apenas uma questão de modernização e passa a ocupar um papel também na segurança do paciente. O estudo “Desmascarando a complexidade no setor de saúde”, da Zebra Technologies, aponta que a dependência de processos manuais amplia riscos clínicos e compromete a eficiência, especialmente em ambientes com alta demanda e equipes reduzidas.
O levantamento mostra que 75% dos profissionais identificam a coleta manual de dados como principal fragilidade da operação. A pressão administrativa também impacta diretamente o cuidado: 78% relatam fadiga informativa, com tarefas burocráticas consumindo tempo que poderia ser dedicado ao paciente. Esse contexto contribui para a incidência de erros médicos, tratados no relatório como resultado sistêmico, e não falhas isoladas.
A adoção de tecnologias de identificação automática surge como uma resposta direta a esse cenário. Dispositivos móveis de uso clínico e sistemas de leitura de códigos de barras à beira do leito podem reduzir em até 50% os erros na administração de medicamentos. Em regiões com menor padronização logística, como partes da América Latina, essas soluções ampliam inclusive a rastreabilidade e fortalecem o controle sobre a cadeia de cuidado.
Exigência do paciente eleva o padrão de segurança hospitalar
No Brasil, a transição para modelos digitais envolve também a evolução da gestão de ativos hospitalares. Tecnologias como RFID (identificação por Radiofrequência) e sistemas de localização em tempo real permitem monitorar insumos e equipamentos desde a entrada até o uso final. Esse nível de visibilidade melhora a resposta em situações críticas, reduz desperdícios e contribui para mitigar riscos legais associados a falhas operacionais.
A percepção do paciente acompanha essa transformação. Segundo o levantamento, 80% dos usuários se sentem mais seguros quando observam o uso de tecnologias na validação de identidade e tratamentos. Esse comportamento reforça a demanda por transparência e processos verificáveis, ampliando a pressão por digitalização no setor.
Denis Carvalho, Gerente Geral Interino da Zebra Brasil, comentou em nota que “o paciente no Brasil não é mais um ator passivo. Hoje, associa-se a identificação de pacientes com suprimentos especializados para o setor, o uso de um tablet médico ou um escâner de pulseira, a um atendimento de alta qualidade. A confiança não se baseia mais apenas no prestígio da instituição, mas na evidência digital de que o processo é seguro”.
Barreiras culturais e técnicas travam avanço
Apesar dos ganhos potenciais, a implementação enfrenta entraves relevantes. A resistência cultural ao abandono do papel ainda persiste em parte das equipes, embora a automação de fluxos possa devolver até 2,5 horas por turno aos profissionais de enfermagem. Além disso, a baixa interoperabilidade (com apenas 40% dos dispositivos integrados) limita o uso estratégico de dados em tempo real. Questões relacionadas à segurança cibernética também influenciam decisões, ainda que o estudo aponte que a falta de conectividade represente risco maior à segurança clínica.
A tendência para os próximos anos indica aceleração dos investimentos. Cerca de 90% dos líderes do setor planejam ampliar aportes em mobilidade e sistemas de rastreamento, com destaque para o uso de RFID. A tecnologia deve ganhar escala no monitoramento de pacientes e ativos críticos, como ventiladores e bolsas de sangue, contribuindo para maior precisão operacional.






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