Foto: Sarah Daltri/Divulgação

A inteligência artificial começa a ganhar espaço na formação de médicos com a colaboração firmada em a Faculdade Sírio-Libanês e a Stanford University, nos Estados Unidos, para pesquisar como a tecnologia pode ser usada no ensino de Medicina. A iniciativa inclui acesso à plataforma “Clinical Mind AI” e prevê estudos sobre o impacto da ferramenta no desenvolvimento do raciocínio clínico.

A parceria coloca a instituição brasileira entre as pioneiras no país a investigar, de forma estruturada, o uso de IA na educação médica. A proposta não é apenas utilizar a tecnologia em sala de aula, mas produzir evidências sobre seus benefícios, limitações e formas de aplicação.

Simulação de casos clínicos

A ‘Clinical Mind AI” permite criar situações que simulam atendimentos médicos, onde os estudantes podem interagir com casos virtuais, analisar informações e tomar decisões diante de diferentes cenários clínicos. A ideia é criar um ambiente controlado para que os futuros médicos possam praticar o raciocínio clínico. A ferramenta também permite explorar diferentes possibilidades antes de lidar com situações reais no atendimento a pacientes.

Christian Valle Morinaga, pesquisador principal e coordenador do curso de Medicina da Faculdade Sírio-Libanês, destacou em nota que “como pesquisador e coordenador do curso de Medicina, vejo essa colaboração como uma oportunidade muito relevante para aproximarmos ainda mais inovação, ciência e formação médica. O Clinical Mind AI amplia as possibilidades de aprendizagem ao permitir que nossos estudantes exercitem o raciocínio clínico, a tomada de decisão e a análise de diferentes cenários em um ambiente seguro e estruturado”.

A primeira etapa da parceria será um estudo piloto com cinco professores da Faculdade Sírio-Libanês. A pesquisa vai avaliar se a plataforma é viável para uso educacional e como os docentes percebem sua aplicação no ensino. Entre os pontos analisados estarão a qualidade das simulações de pacientes, a facilidade de uso e possíveis obstáculos para adoção da tecnologia. O estudo também vai investigar quais indicadores podem ajudar os professores a acompanhar o desenvolvimento do raciocínio clínico dos alunos.

A Stanford University ficará responsável pela condução da pesquisa, além da coleta e análise dos dados. A instituição também participará da elaboração dos resultados científicos.

IA como ferramenta de apoio

Para a Faculdade Sírio-Libanês, a tecnologia deve funcionar como complemento à formação tradicional. A proposta é ampliar as oportunidades de treinamento sem substituir a participação dos professores, a interação com pacientes ou a experiência prática nos serviços de saúde.

“Mais do que incorporar inteligência artificial ao ensino, nosso objetivo é investigar de forma crítica e responsável como essa tecnologia pode contribuir para a formação de médicos cada vez mais preparados para lidar com a complexidade da prática clínica. A tecnologia não substitui o professor, o contato com o paciente ou a experiência assistencial; ela amplia as oportunidades de treinamento, reflexão e desenvolvimento do estudante”, apontou Morinaga.

Os resultados do projeto também podem ajudar a instituição a entender como ferramentas de IA podem ser incorporadas ao processo de aprendizagem. Para os estudantes, a expectativa é ampliar as formas de aplicar conhecimentos e exercitar decisões clínicas durante a graduação.

O acordo com Stanford não se limita ao estudo inicial. A parceria cria uma base para novos projetos de pesquisa sobre inteligência artificial e educação médica, com possibilidade de produção de relatórios e artigos científicos. Os resultados poderão ser publicados conjuntamente pelas instituições. Espera-se que os estudos contribuam para ampliar a discussão sobre o uso responsável de IA na formação de profissionais de saúde.

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