
Junto com o crescimento da inteligência artificial vieram muitas pressões que estão fazendo com que o papel da alta liderança de tecnologia se redesenhe. Para discutir as transformações profundas que afetam a cadeira do CIO e os novos perfis exigidos pelo mercado, a FIAP promoveu um encontro Meetup com Alexandre Benedetti, Diretor Geral da LANDtech e cofundador do Talenses Group para debater dados da pesquisa da Talenses e como a visão de negócios supera a liderança técnica tradicional no novo ecossistema corporativo.
O mercado corporativo vive uma reconfiguração profunda na liderança executiva de tecnologia, com investimentos globais do setor superando a marca de 5,6 trilhões de dólares. No entanto, o retorno tangível sobre esse capital permanece sob forte questionamento nas salas de conselho. Apenas 48% dos executivos conseguem demonstrar o impacto direto desses aportes na margem ou na lucratividade das companhias.
Em paralelo, a dinâmica de permanência no topo da pirâmide corporativa acelerou de forma drástica. O ciclo médio de gestão de um CEO caiu pela metade em relação aos anos 1990, atingindo cerca de 7 anos. Essa volatilidade afeta diretamente a cadeira do líder de TI, que registra um tempo médio de permanência de apenas 5,2 anos. “Quando troca o CEO, trocam-se as prioridades. Então a gente já começa aqui uma primeira pressão que não tem a ver com tecnologia, não tem a ver com mudança de mercado, tem a ver com dinâmica da organização”, destacou Benedetti.
O descarte do perfil operacional
As organizações estão descartando o modelo antigo do executivo focado puramente em entregas operacionais. Falar apenas a linguagem técnica de infraestrutura ou gerenciar contratos de fornecedores não garante mais espaço no comitê executivo. O mercado busca líderes capazes de articular margem, receita, risco operacional e novos modelos de negócios de ponta a ponta.
Para sobressair, a liderança de tecnologia precisa assumir a responsabilidade direta pelos resultados financeiros e pela rentabilidade. Atualmente, 65% dos líderes da área reportam diretamente ao presidente da empresa e 36% já gerenciam demonstrações financeiras de resultado. Essa postura de negócios altera o posicionamento do executivo perante o conselho e os acionistas.
Orquestração entre inteligência artificial e equipes humanas
A expansão da IA nas companhias demanda novas competências comportamentais e analíticas. Benedetti reforçou que “você não precisa ser mais um especialista em todos os temas, porque a IA vai ser o teu especialista em todos os temas ou vai te ajudar a se tornar o especialista em todos os temas. Então, faz muito sentido o soft skill ser o pensamento analítico junto com outras questões de comunicação”. A gestão agora envolve a integração entre talentos humanos e agentes autônomos de automação. Com múltiplas gerações convivendo no ambiente de trabalho, o grande desafio reside em manter o engajamento e a alta produtividade das equipes.
Estudos indicam que o desenvolvimento do pensamento analítico é a principal habilidade para navegar nesta transição. Em vez de dominar individualmente cada vertical técnica, o líder contemporâneo utiliza sistemas inteligentes para acelerar diagnósticos complexos e tomadas de decisão. O diferencial competitivo deixa de ser a tecnologia isolada e passa a ser a combinação fluida entre julgamento humano e capacidade de processamento analítico.
Governança, ética e visão de longo prazo para a carreira
A responsabilidade sobre privacidade, regulamentação de dados e segurança da informação integra de maneira irreversível o mandato executivo. Manter a operação estável e segura previne rupturas financeiras e crises severas de reputação no mercado. Da mesma forma, a governança sobre algoritmos e a orquestração ética das soluções garantem a perenidade dos investimentos realizados.
“A pergunta não é se o cargo sobrevive e eu não tenho dúvida que o cargo sobrevive. É se o perfil atual sobrevive. E o que as pessoas estão fazendo sobre isso”, provocou Benedetti. O futuro da posição exige capacidade crítica para separar tendências passageiras de avanços reais que movimentam ponteiros de negócios. Liderar a transformação digital requer a criação de alianças estratégicas com todas as diretorias da empresa. O sucesso profissional nesta nova fase depende da busca constante por atualização, pensamento analítico afiado e foco total em geração de valor real para a organização.
Para finalizar, Benedetti deixou uma reflexão sobre carreira que serve para todos: “cada profissional, independentemente do nível, tem que entender o momento dele de carreira, a fase dele, olhando o mercado e saber segregar o que é barulho e o que é ruído. O que é ruído é perda de tempo, tem que entender o que é barulho. E você vai encontrar isso conversando com gente mais sênior, conversando com pares, se atualizando, lendo na academia. Então, invistam em entender o que é barulho e o que é ruído. Vai atrás do barulho, o ruído deixa de lado”.






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