
A adoção de inteligência artificial já começa a produzir efeitos concretos na operação de organizações do terceiro setor. Na Gerando Falcões, a combinação entre automação e uma nova estrutura interna de tecnologia reduziu em 70% os custos da área, liberou mais de 1.240 horas de trabalho e pode gerar uma economia anual de aproximadamente R$ 1 milhão.
A organização estima ainda uma economia anual de aproximadamente R$ 1 milhão em custos operacionais. A estratégia combina automação, desenvolvimento de competências internas e uso de agentes de IA para retirar das equipes tarefas repetitivas e concentrar esforços em atividades ligadas ao impacto social.
Tecnologia dentro de casa
A mudança começou depois de um período, entre 2024 e 2025, em que os serviços de tecnologia eram terceirizados e a organização ainda não utilizava inteligência artificial. No início de 2026, a Gerando Falcões montou uma equipe interna de oito profissionais, com a IA como um dos pilares da nova estrutura tecnológica.
“Conseguimos reduzir 70% dos nossos custos relacionados à tecnologia e tivemos um ganho expressivo de produtividade. Com a automação de processos, fomos capazes de liberar mais de 1.240 horas de trabalho, permitindo que as equipes direcionassem seus esforços para atividades diretamente ligadas ao atendimento das famílias e aos territórios nos quais atuamos”, destacou em nota Amanda Boliarini, cofundadora e gerente de Tecnologia e Dados da Gerando Falcões.
Hoje, sete agentes automatizados dão suporte a diferentes rotinas. Entre elas estão elaboração de relatórios, tarefas administrativas, busca e acompanhamento de editais, gestão de doações e outros processos operacionais.
IA para tarefas repetitivas
A experiência mostra uma divisão clara entre os trabalhos que podem ser automatizados e aqueles em que a participação humana continua central. Processamento de grandes volumes de dados, classificação de informações, criação de relatórios e dashboards e execução de fluxos repetitivos estão entre as atividades em que a tecnologia pode ganhar escala.
Já ações relacionadas à construção de confiança, relacionamento e escuta das pessoas atendidas exigem outro tipo de atuação. Para a Gerando Falcões, a tecnologia deve liberar capacidade das equipes sem retirar delas o papel nas decisões e nas relações que sustentam o trabalho social.
Amanda apontou que “não precisamos ter medo da Inteligência Artificial, mas aprender a utilizá-la de forma estratégica e responsável. Quando automatizamos tarefas repetitivas, liberamos tempo para aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: escutar pessoas, construir confiança, tomar decisões éticas e gerar transformação social. No terceiro setor, a IA não substitui o impacto humano, ela potencializa nossa capacidade de realizá-lo“.
Governança ainda é desafio
A adoção de IA também avança entre organizações sociais em outros países. Segundo a Nonprofit Benchmarking Survey, 82% das organizações do setor no mundo já utilizam inteligência artificial em alguma etapa das operações. Automação administrativa, gestão de doações, projeções e avaliação de impacto aparecem entre os usos mais comuns.
O avanço, porém, não elimina questões relacionadas à governança. Dados apresentados pela Tech Policy Press apontam que menos de 25% das instituições possuem políticas formais para orientar o uso da IA. O cenário envolve riscos relacionados à privacidade, segurança da informação e utilização de dados sensíveis.
“As organizações têm uma oportunidade enorme de usar a inteligência artificial para simplificar processos e ganhar eficiência, mas é importante que a inovação venha acompanhada de responsabilidade, principalmente quando falamos de segurança da informação e do tratamento de dados sensíveis. Aqui na Gerando Falcões, temos olhado muito para isso. Queremos avançar com a IA, mas sempre garantindo que os dados estejam protegidos e que a tecnologia seja utilizada de forma segura e ética”, ressaltou Amanda.
Como começar
A falta de infraestrutura de dados, profissionais especializados e orçamento aparece como uma das barreiras para organizações do terceiro setor adotarem IA. Outro obstáculo é tratar tecnologia apenas como custo operacional, em vez de avaliar seu potencial para ampliar a capacidade de execução.
Ferramentas de baixo código podem reduzir parte dessa barreira ao permitir que soluções sejam implementadas sem estruturas técnicas muito grandes. A estratégia defendida pela Gerando Falcões é começar por processos específicos, medir os resultados e ampliar o uso a partir das evidências.
Amanda complementou ainda que “primeiro, é essencial entender quais processos mais consomem tempo da sua organização e são repetitivos. Depois, escolha uma ferramenta para automatizá-lo e teste por um curto período. Faça a contabilidade das horas de trabalho que foram liberadas a partir da solução. O maior indicador de sucesso não é a quantidade de ferramentas implementadas, mas o quanto elas ampliam a capacidade da organização de cumprir sua missão”.






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