Foto: Gustavo Fring/Pexels

A digitalização do agronegócio brasileiro vem ampliando a pressão sobre seguradoras para modernizar processos, reduzir burocracia e acelerar o atendimento ao produtor rural. Em um setor marcado por operações distribuídas, eventos climáticos extremos e necessidade crescente de agilidade, tecnologias de automação e inteligência artificial passaram a ser estratégicas nas jornadas de atendimento e gestão de sinistros.

A Mapfre anunciou os resultados de um projeto desenvolvido em parceria com a GFT Technologies para automatizar a abertura de sinistros do agronegócio via WhatsApp. A iniciativa utiliza recursos de inteligência artificial, low-code e automação robótica de processos (RPA) para digitalizar etapas da comunicação entre seguradora e cliente.

A iniciativa simplificou o atendimento ao produtor rural e reduziu etapas operacionais. Em nota, Patricia Rossi, diretora do Centro de Serviços Compartilhados, Processos e Automação da Mapfre, explicou que “o resultado que obtivemos na área de automóveis demonstra que o WhatsApp é o ponto de contato orgânico para fluxos de atendimento cada vez mais autônomos. Ao expandir essa lógica para o agro, priorizamos a evolução do suporte mantendo a conveniência para o produtor. Queremos desburocratizar o relacionamento entre as partes, eliminando gargalos operacionais e acelerando a entrega de valor”.

Automação reduz etapas

A solução permite que produtores rurais iniciem o registro de ocorrências diretamente pelo aplicativo de mensagens. Um chatbot realiza a coleta inicial de dados cadastrais e informações da apólice, enquanto a automação integrada executa o processamento das solicitações e o encaminhamento interno dos fluxos operacionais.

Paulo Cesar Pissardo, Head of Insurance Brazil da GFT Technologies, destacou também em nota que “o projeto materializa como automação, low-code e IA aplicada podem transformar processos críticos de negócio, com impacto mensurável em produtividade, custos operacionais e experiência do cliente”.

A arquitetura tecnológica do projeto combina a Microsoft Power Platform com a plataforma da UiPath. Os desenvolvimentos em Power Platform foram conduzidos pela própria Mapfre, enquanto a GFT ficou responsável pela implementação dos fluxos de automação em UiPath e pela sustentação operacional do ambiente de RPA.

Governança sustenta a expansão

Segundo as empresas, a estrutura é apoiada por um Centro de Excelência de automação responsável pela gestão de aproximadamente 200 módulos de RPAs produtivos dentro da seguradora. O modelo busca ampliar padronização técnica, governança operacional e monitoramento de indicadores ligados à eficiência dos processos automatizados. A estratégia também inclui mecanismos de governança voltados ao uso corporativo de inteligência artificial e ferramentas low-code.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla do mercado financeiro e segurador, que intensificou investimentos em canais digitais conversacionais e integração entre IA e backoffice. O objetivo é reduzir tempo de resposta, eliminar tarefas manuais e ampliar escalabilidade operacional em jornadas de atendimento de alto volume.

A parceria entre Mapfre e GFT já inclui outros projetos internacionais de transformação digital. Um dos exemplos citados pelas companhias é uma plataforma de IA generativa construída sobre infraestrutura da Amazon Web Services para apoiar desenvolvedores da seguradora. A ferramenta atende mais de 2 mil profissionais em 25 países e centraliza acesso a APIs e documentações técnicas utilizadas nas operações globais da companhia.

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