
Depois de 16 anos com processos financeiros descentralizados e dependentes de trabalho manual, o Grupo BALI mudou a forma de conduzir a controladoria. Em apenas três meses, a equipe desenvolveu 15 projetos internamente com o Mitra, sem recorrer a desenvolvedores ou ao suporte da área de TI.
A mudança teve impacto direto na rotina financeira. A comissão de folha, que consumia de dois a três dias, passou a ser processada em cerca de 30 minutos. Já o fechamento de resultados caiu de um dia e meio para aproximadamente uma hora. Pela estimativa da empresa, reproduzir os mesmos projetos por métodos tradicionais exigiria uma equipe de cerca de dez desenvolvedores durante um ano.
Negócio construindo tecnologia
Caio Augusto, gerente de Tecnologia e Controladoria do Grupo BALI, contou em nota que “o que o Grupo BALI não fez em 16 anos, fez em três meses. A transformação mostrou que a nossa equipe tinha capacidade para construir soluções complexas e evoluir os processos por conta própria. O ganho não está apenas no tempo que deixamos de gastar com tarefas manuais, mas também na autonomia para identificar um problema e desenvolver uma solução sem precisar entrar em uma fila de TI”.
A experiência ocorre em um momento de maior pressão sobre as concessionárias brasileiras. A Fenabrave elevou para 8% a projeção de crescimento dos emplacamentos em 2026, com expectativa de 2,9 milhões de veículos vendidos. Ao mesmo tempo, a entrada de fabricantes chineses aumenta a competição: 16% das concessionárias já trabalham com essas marcas, segundo a entidade.
Sistemas legados como obstáculo
O caso também expõe um dos desafios da modernização corporativa: transformar processos antigos sem ficar limitado pela estrutura tecnológica existente. A pesquisa “State of AI Development 2026”, da OutSystems, aponta a integração com sistemas legados como uma das principais barreiras à digitalização para 40% dos líderes de tecnologia.
No Grupo BALI, a própria controladoria passou a criar e ajustar suas ferramentas. A estratégia reduziu a dependência de projetos conduzidos exclusivamente por TI e permitiu que as soluções fossem adaptadas diretamente por quem conhece os processos financeiros.
Para Flávio Calixto, CEO e cofundador do Mitra, aproximar conhecimento operacional e desenvolvimento pode acelerar a resposta das empresas. “O caso BALI mostra que uma equipe de negócio pode assumir um papel ativo na construção de suas próprias ferramentas. Quando o conhecimento do processo está junto da capacidade de desenvolver a solução, o tempo entre identificar um problema e colocar uma resposta em funcionamento diminui”, destacou o CEO também em nota.
A mudança não terminou com os primeiros projetos. O Grupo BALI mantém a evolução dos sistemas internamente, sem depender de consultorias externas ou de uma fila tradicional de desenvolvimento. A experiência combina automação de tarefas, redução de tempo e maior autonomia da controladoria para modificar processos conforme as demandas da operação.






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