Fabian Hedin, cofundador e CTO da Lovable

Se cloud computing rompeu a barreira de acesso à infraestrutura e permitiu o surgimento de diversas startups ao longo dos últimos anos, a inteligência artificial e a possiblidade de programar sem ser um desenvolvedor ampliar ainda mais a possibilidade de empreender em tecnologia, mas também de solucionar problemas nas empresas. E a Lovable tem tido grande protagonismo nessa frente. A plataforma, como explicou Fabian Hedin, cofundador e CTO da startup, durante o HumanX Amsterdam2026, tem transformado a maneira como software e soluções corporativas são criados e mantidos. Com crescimento acelerado no mercado global de IA, a Lovable vem redefinindo o desenvolvimento de produtos e dando autonomia para diferentes áreas de negócios.

Ao analisar a evolução da inteligência artificial no desenvolvimento de software, Hedin destacou a transição da fase experimental para a construção de sistemas críticos de negócios. O executivo comentou sobre a mudança de percepção em relação ao conceito que se popularizou recentemente no setor, defendendo o uso de agentic coding no lugar de vibe coding. 

“O termo ‘vibe coding’ foi cunhado há cerca de um ano por Andrej Karpathy para descrever aquela sensação de poder sentar e deixar o computador fazer o trabalho enquanto você apenas ‘sente a vibe’. Naquela época, usar IA para programar era algo mais informal, pois não se faziam coisas muito sérias com ela. Hoje isso mudou, é possível criar aplicações extremamente sérias e construir negócios inteiros. Por isso, prefiro o termo ‘agentic coding’”, afirmou Hedin, durante o HumanX Amsterdam 2026.

Negócios rodando inteiramente na Lovable

Indo além de simples protótipos ou landing pages, a plataforma passou a suportar a operação integral de startups e empresas de SaaS. A mudança de patamar reflete diretamente o comportamento dos novos fundadores e equipes de produto, que enxergam na Lovable a possibilidade de acelerar negócios, com menor custo e garantindo certa qualidade. 

“Cerca de 80% das ideias trazidas pelos nossos usuários são focadas em criar um negócio. Ajudamos não apenas na criação do software da empresa, seja um site ou uma plataforma SaaS inteira, mas também no seu sucesso operacional. Temos o exemplo do Rafael Milagre (fundador da edtech Viver de IA), no Brasil, que construiu uma plataforma de educação com IA. Não só a plataforma utilizada pelos clientes dele roda na Lovable, como também todos os processos internos dos seus 50 funcionários dependem diariamente da nossa ferramenta”, exemplificou Hedin. 

A Viver de IA se tornou um dos maiores cases da Lovable, não apenas no Brasil, seja pela escala da oferta, mas por rodar a empresa inteira na plataforma sueca. O exemplo da brasileira foi citada por Hedin por mais de uma vez durante sua participação no evento.

Presença na Forbes 500 e a interação corporativa

Mas a adoção da plataforma vai além de startups e entra no ecossistema de grandes empresas. Nesses casos, o uso tem acontecido de baixo para cima (bottom-up), impulsionada por colaboradores que buscam resolver gargalos operacionais imediatos.

“Dois terços das empresas da Forbes 500 já usam a Lovable. As pessoas dentro dessas organizações percebem que podem usar a ferramenta para resolver seus próprios problemas. É bastante comum o time de TI ou controle dessas grandes corporações nos procurar dizendo: ‘Temos milhares de usuários e aplicações criadas aqui, o que está acontecendo?’. A partir daí, trabalhamos em colaboração com essas gigantes para garantir visibilidade, governança e segurança sobre todas essas aplicações”, resumiu.

Autonomia nos departamentos 

A homologação da ferramenta e seu uso dentro de padrões de governança tem desafiado CIOs e diversas partes do mundo e não tem sido diferente no Brasil, como tem apurado o Coletivo Tech. A falta de visibilidade pode comprometer não apenas integrações, mas dados, se a ferramenta for mal utilizada. Por outro lado, ao colocar o poder de criação na ponta, a Lovable reduz a dependência das tradicionais filas de priorização de TI, permitindo que os próprios detentores do problema construam suas ferramentas. E isso tem se provado muito mais eficiente.

“O padrão mais comum é ver a ferramenta permitindo que as pessoas mais próximas dos problemas, seja em Finanças, Recursos Humanos, Engenharia ou Design, resolvam essas questões diretamente. Um líder de vendas da Uber, por exemplo, que entendia todo o processo de prospecção de restaurantes, construiu uma ferramenta personalizada para criar propostas em poucas horas e ajustá-la em 10 minutos. Algo que antes levaria meses esperando na fila da equipe de engenharia agora é resolvido no mesmo dia”, comentou Hedin.

Esse cenário tem sido comum em empresas de diferentes setores e nos mais diversos departamentos. O fato de não exigir conhecimento técnico, empodera o usuário a tomar a responsabilidade da resolução do problema para si. Portanto, se antecipar e homologar a ferramenta, seja a Lovable ou qualquer outra, se mostra o melhor caminho. 

A relação com as áreas de TI

A descentralização do desenvolvimento impõe desafios de segurança e governança, exigindo uma integração próxima com os times técnicos para evitar riscos operacionais. Mas Hedin garante que tem conversado com times de engenharia e tecnologia das empresas para tratar do assunto e, no geral, tem conseguido avançar para que o uso da plataforma ocorra sem grandes percalços. 

“As equipes de engenharia e segurança por vezes ficam apreensivas com a quantidade de novo código sendo gerado pela empresa, e com razão. Quando nos engajamos com essas empresas, nosso foco principal é definir quem deve ter permissão para construir, a quais dados essas ferramentas têm acesso e como garantir que tudo seja feito de forma segura. Usamos a própria IA para escanear continuamente todos os projetos e sugerir ou aplicar correções de segurança automaticamente.”

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