Foto: Alexas Fotos/Pexels

A busca por informações médicas na internet ganhou mais um canal: a Medley ampliou as funções da Cássia, assistente virtual que usa inteligência artificial para responder a dúvidas sobre saúde pelo WhatsApp. A ferramenta, que começou com foco em saúde mental, passa a reunir também informações sobre medicamentos, bulas oficiais, bem-estar e serviços de saúde.

A iniciativa busca facilitar o acesso a conteúdos confiáveis em um ambiente digital com grande volume de informações de qualidade desigual. Para isso, a farmacêutica aposta em uma tecnologia que consulta bases de conhecimento controladas antes de elaborar as respostas, em vez de depender de pesquisas abertas na internet.

IA passa a oferecer conversas mais naturais

A mudança altera a forma de interação com a Cássia. Em vez de depender principalmente de menus e opções predefinidas, a assistente passa a interpretar perguntas em linguagem natural e direcionar os usuários a conteúdos e serviços relacionados às suas necessidades.

A saúde mental continua entre os temas atendidos, mas agora faz parte de uma proposta mais abrangente de acesso à informação em saúde. A plataforma também permite consultar dados oficiais sobre medicamentos, acessar bulas digitais atualizadas e encontrar estabelecimentos e serviços de saúde próximos.

Valéria Borghi, Head de Marketing Medley, contou em nota que “a Cássia nasceu a partir de uma necessidade real das pessoas e sua evolução segue essa mesma lógica. Em saúde, inovação precisa caminhar junto com responsabilidade, segurança e qualidade da informação. Ao ampliar a atuação da Cássia, queremos usar a tecnologia para facilitar o acesso a conteúdos confiáveis e apoiar as pessoas em diferentes momentos da sua jornada de cuidado”.

Assistente já registrou quase 8 mil contatos

Os dados de utilização ajudaram a orientar a expansão. Entre junho de 2025 e maio de 2026, a Cássia contabilizou 7.984 contatos únicos e mais de 184 mil mensagens trocadas. Segundo a empresa, a taxa de interação chegou a 97,9% no período.

A ampliação inclui ainda o direcionamento para localização e compra de medicamentos pela plataforma Clique Farma, além de uma triagem inicial de relatos relacionados à farmacovigilância e a queixas técnicas. Esses registros são encaminhados posteriormente às equipes especializadas.

Para consultar bulas, a assistente utiliza a integração com a plataforma FLUG e bases de conhecimento autorizadas. O recurso permite localizar versões digitais atualizadas dos documentos, com informações sobre indicações, modo de uso, contraindicações, advertências e precauções.

Tecnologia busca reduzir riscos nas respostas

A estrutura de inteligência artificial da Cássia utiliza RAG, técnica que combina modelos de linguagem com a recuperação de informações em bases específicas. Antes de produzir uma resposta, o sistema consulta fontes autorizadas, incluindo bulas aprovadas pela Anvisa, conteúdos educativos sobre saúde, dados de produtos e fluxos estruturados de farmacovigilância.

A estratégia procura limitar as respostas ao conhecimento disponível nessas fontes, com controles voltados à qualidade e à confiabilidade das informações. A empresa também afirma que a ferramenta não aprende automaticamente com as conversas dos usuários.

A adoção desse modelo é particularmente relevante em aplicações de IA voltadas à saúde, nas quais informações incorretas podem levar a decisões inadequadas. Ainda assim, o uso de bases controladas não elimina completamente a possibilidade de erros, o que torna importante manter limites claros para a atuação da assistente.

“O valor da Inteligência Artificial não está em usar IA por usar, mas em partir de uma necessidade concreta e entender como a tecnologia pode ajudar a resolvê-la melhor. Especialmente em saúde, isso exige combinar inovação com governança, ciência, segurança e responsabilidade. A Cássia traduz essa visão ao unir uma experiência simples para o usuário a uma estrutura robusta de controle e qualidade da informação”, apontou Valéria.

A ferramenta Cássia não realiza diagnósticos nem substitui consultas, avaliações ou orientações de profissionais de saúde. A proposta é funcionar como um canal de informação e direcionamento, sem ocupar o lugar do atendimento especializado.

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