
Com o objetivo de apoiar governança, transparência e conformidade, o Insper e o Opice Blum Advogados anunciaram a criação do Laboratório de Experimentação em Inteligência Artificial (LAB.IA). Vinculada ao Centro de Dados e IA (CDIA) da instituição de ensino, a iniciativa foi estruturada para oferecer um ambiente controlado de testes e validação de sistemas de inteligência artificial em diferentes níveis de maturidade, reunindo análises técnicas, éticas e regulatórias.
A proposta busca aproximar pesquisa acadêmica, setor privado e especialistas de diferentes áreas para avaliar aplicações de IA antes de sua adoção em cenários reais. O laboratório permitirá que organizações identifiquem desafios relacionados à governança dos algoritmos, proteção de dados, transparência e conformidade regulatória durante o processo de desenvolvimento tecnológico.
Segundo nota de Camila Guimarães, gestora de proteção de dados e IA do Opice Blum Advogados, a iniciativa surge em resposta aos desafios enfrentados pelas empresas na implementação responsável dessas tecnologias. “Apesar do avanço acelerado da IA, ainda existe uma lacuna importante entre os princípios éticos, regulatórios e a aplicação prática dessas diretrizes pelas organizações. O LAB.IA foi criado para aproximar academia, mercado e especialistas em um ambiente seguro de experimentação, capaz de apoiar o desenvolvimento de sistemas de IA mais responsáveis e confiáveis”, apontou.
A expectativa, de acordo com a especialista, é que as experiências conduzidas no espaço contribuam para a evolução das práticas de governança de IA no país e sirvam de referência para organizações de diferentes segmentos econômicos.
Expansão da infraestrutura para pesquisa em IA
O lançamento do LAB.IA faz parte da ampliação recente do Centro de Dados e IA do Insper. A expansão, concluída no final de 2025 no campus da instituição em São Paulo, aumentou a capacidade dedicada a pesquisas envolvendo dados sensíveis e inteligência artificial.
Entre as melhorias está a ampliação dos ambientes seguros para acesso a bases de dados protegidas. O número de salas controladas passou de quatro para nove espaços, seguindo requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e padrões internacionais voltados à segurança da informação e à privacidade.
“Um mundo em que errar com tecnologia se tornou ao mesmo tempo mais fácil e mais caro, espaços que incentivam a experimentação e o olhar multiprofissional sobre seus impactos são essenciais, não apenas para o avanço tecnológico, mas para sua inserção responsável e ética na sociedade”, destacou também em nota André Filipe de Moraes Batista, diretor da Unidade Acadêmica de Engenharia e Ciência da Computação do Insper.
Empresas e startups poderão submeter projetos
O laboratório será aberto à participação de empresas, startups e organizações da sociedade civil interessadas em avaliar aplicações de inteligência artificial em um ambiente supervisionado. Para ingressar no programa, as instituições deverão possuir CNPJ ativo, apresentar documentação técnica da solução, indicar um responsável pelo projeto e formalizar a participação por meio de termo específico.
As propostas serão submetidas a uma avaliação multidisciplinar que incluirá aspectos técnicos, jurídicos, regulatórios e éticos. O prazo estimado para análise é de até dez dias úteis.






Sem comentários registrados