
Os canais digitais são o principal meio de relacionamento financeiro no Brasil. De acordo com a “Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026”, 83% das transações bancárias já são realizadas por celular e internet banking.
O estudo, elaborado pela Febraban em parceria com a Deloitte, indica que o mobile banking segue como principal motor dessa transformação. Nos últimos cinco anos, o volume de transações no canal cresceu 169%, alcançando 187,5 bilhões de operações.
Em 2025, foram registradas 240,8 bilhões de transações bancárias no país. Desse total, 78% ocorreram via celular, com alta de 11% em relação ao ano anterior. O avanço reforça a centralidade dos dispositivos móveis na rotina financeira de pessoas físicas e empresas.
A pesquisa também destaca o fortalecimento dos chamados heavy users, clientes que concentram mais de 80% das transações em um único canal. Esse grupo já representa 76% da base digital. O comportamento indica maior recorrência no uso dos serviços, com acesso diário entre pessoas físicas e média de quase dois logins diários no ambiente corporativo.
Banco no celular lidera expansão e reforça Pix
“O mobile banking reafirmou seu posicionamento como o principal canal em expansão, com um crescimento notável não apenas em consultas, mas em transações financeiras e investimentos. A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário para a maioria dos brasileiros, tornando os canais físicos pontos de apoio para operações mais consultivas”, destacou em nota Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.
O levantamento mostra que o Pix segue em expansão dentro do ecossistema de pagamentos. O volume de transações cresceu 19% no mobile banking e 53% no internet banking. Também há avanço nas maquininhas de pagamento, com o Pix liderando o crescimento no POS.
Entre pessoas físicas, 80% das operações via Pix são liquidadas de forma instantânea. O restante se distribui entre modalidades como Pix cobrança (19%), Pix agendado (0,3%) e Pix crédito (0,2%).
Bancos ampliam investimentos
O setor bancário registrou aumento de 58% no orçamento de tecnologia nos últimos cinco anos. Para 2026, a projeção é de R$ 50,4 bilhões em investimentos, alta de 8% em relação a 2025.
A cibersegurança aparece como prioridade absoluta entre as instituições financeiras, com 100% dos bancos atribuindo relevância alta ou média ao tema. O movimento vem acompanhado de maior investimento em capacitação e contratação de profissionais especializados.
Ao todo, o setor contabiliza 226,1 mil profissionais treinados em tecnologia. Atualmente, 11% do quadro dos bancos é composto por profissionais de TI. E esse número deve aumentar, pois 42% das instituições pretendem ampliar suas equipes de TI, com expectativa de crescimento médio de 22%.
Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, explicou também em nota que “o crescimento do orçamento tecnológico dos bancos, aliado à previsão de R$ 50,4 bilhões em investimentos para 2026, mostra que o setor financeiro segue comprometido com inovação, segurança e eficiência. A cibersegurança permanece como agenda central para as instituições, ao lado de temas estratégicos como Cloud e IA Generativa. Esse avanço também depende da formação e da atração de profissionais cada vez mais especializados, capazes de sustentar a evolução tecnológica do setor”.
Prioridades da estratégia bancária
Entre as prioridades tecnológicas, além de cibersegurança, Cloud (84%) e Inteligência Artificial Generativa (84%) concentram a maior parte dos investimentos.
Apesar da expansão da inteligência artificial em diferentes frentes, cerca de 60% das instituições ainda estão em estágio inicial de adoção. No caso da GenAI, o nível de maturidade é ainda mais incipiente, com foco atual em testes e desenvolvimento de aplicações.
Já Sérgio Biagini, FSI Lead Partner – Banking and Capital Markets da Deloitte, reforça que a GenAI está presente no setor e vem se expandindo, contudo ainda é preciso avançar em escala e captura de valor. Em nota Biagini pontuou que “não se trata apenas de experimentar uma nova tecnologia, mas de integrá-la de forma consistente e ampliada às operações bancárias e à experiência do cliente na ponta. As instituições que conseguirem reimaginar seus processos, as jornadas de atendimento aos clientes e a força de trabalho do futuro estarão mais preparadas para liderar a agenda de eficiência, inovação e transformação do setor”.
A pesquisa completa pode ser acessada neste link.






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