
A inteligência artificial está começando a participar de etapas mais próximas do atendimento ao paciente no setor de saúde no Brasil. Um levantamento da Philips mostra que a tecnologia já é usada por profissionais para apoiar decisões clínicas, analisar exames e até evitar possíveis erros médicos.
Os dados fazem parte da 11ª edição do “Future Health Index (FHI) 2026”, estudo que ouviu mais de 2 mil profissionais de saúde e 20 mil pacientes em dez países. No Brasil, 51% dos profissionais entrevistados afirmam que a IA ajudou a identificar ou prevenir um possível erro médico pelo menos três vezes nos três meses anteriores à pesquisa.
O avanço também aparece no nível de confiança dos profissionais. Segundo o levantamento, 93% dos entrevistados no país estão otimistas de que a inteligência artificial pode contribuir para melhorar os resultados clínicos dos pacientes.
IA chega aos exames
O uso da tecnologia está avançando em equipamentos médicos. Em vez de ficar restrita a chatbots ou ferramentas de texto, a IA vem sendo incorporada a sistemas de ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Nessas aplicações, os algoritmos podem processar imagens durante o exame, automatizar medições e cruzar informações com exames anteriores. A proposta é fornecer dados adicionais para que médicos possam avaliar os casos com mais rapidez e tomar decisões com maior apoio de informações clínicas.
O impacto aparece em diferentes pontos da rotina. Além dos 51% que relatam uso da IA para identificar ou evitar possíveis falhas clínicas, outros 51% dos profissionais dizem que a tecnologia ampliou sua capacidade operacional, permitindo atender mais pacientes por semana.
A percepção sobre acesso ao cuidado também é relevante. Para 88% dos profissionais brasileiros ouvidos, a inteligência artificial pode ajudar a diminuir diferenças na qualidade do atendimento entre diferentes contextos de saúde.
Felipe Basso, Diretor Geral da Philips América Latina, apontou em nota que “a grande mudança que estamos testemunhando no Brasil é a transição da IA de tarefas administrativas para a jornada clínica direta. O verdadeiro valor da tecnologia não está em aplicações isoladas, mas em conectar dados de exames e equipamentos para apoiar decisões mais céleres. Quando economizamos tempo na operação, devolvemos esse tempo para o contato humano entre médico e paciente, permitindo levar o melhor cuidado para mais pessoas”.
Treinamento é um desafio
A expansão da IA na saúde, porém, traz uma questão que vai além da tecnologia disponível. Para que essas ferramentas sejam incorporadas de maneira adequada à rotina médica, hospitais e organizações precisam preparar suas equipes e adaptar processos de trabalho.
O próprio estudo aponta uma lacuna nessa frente. No Brasil, 71% dos profissionais consultados dizem que o treinamento em IA oferecido por suas organizações é inexistente, inconsistente ou inadequado.
A implementação também passa pela colaboração entre empresas de tecnologia e instituições de saúde. Um dos exemplos citados pela Philips é a parceria com o Einstein Hospital Israelita para o desenvolvimento conjunto de soluções de inteligência artificial voltadas à prática clínica, incluindo aplicações para exames de imagem.
A colaboração envolve não apenas a criação das ferramentas, mas também validação de protocolos, capacitação de profissionais e iniciativas para ampliar o acesso a soluções de saúde apoiadas por tecnologia.
“Quando a tecnologia reduz atritos operacionais e conecta dados de exames, ela fortalece a tomada de decisão médica no momento exato em que o paciente mais precisa. O compromisso da Philips é continuar liderando essa transformação integrada, unindo tecnologia avançada e conhecimento clínico para oferecer um atendimento melhor a mais pessoas”, concluiu Basso.
O estudo completo está disponível neste link.






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