
A inteligência artificial ganhou espaço no trabalho dos brasileiros, mas a expansão da tecnologia também aumenta a discussão sobre o papel das pessoas nas decisões tomadas com apoio de sistemas automatizados. Uma pesquisa da PwC aponta que mais de 70% dos profissionais no Brasil usaram IA em suas atividades no último ano. No mundo, a média ficou em 54%.
Foi a partir desse cenário que a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) criou o Código Humanitas. A proposta é estabelecer uma espécie de protocolo para orientar conversas com ferramentas de inteligência artificial e estimular o usuário a questionar, verificar e interpretar as respostas recebidas.
Protocolo coloca usuário no comando
O Código Humanitas reúne 12 artigos e cinco cláusulas finais. Entre as orientações estão a apresentação de fontes verificáveis, a exposição de diferentes pontos de vista e a preservação da autoria de quem utiliza a IA.
Outra diretriz prevê a recomendação de análise humana em situações de maior impacto. Saúde, direito e finanças estão entre os exemplos em que uma resposta automatizada não deveria ser tratada como decisão definitiva.
“A nossa preocupação nunca foi colocar a inteligência artificial de um lado e o ser humano do outro. A questão é como podemos avançar tecnologicamente sem abrir mão daquilo que nos torna humanos: a capacidade de questionar, interpretar, criar e decidir. O Código Humanitas nasce justamente desse lugar. Ele não quer impedir o uso da IA, mas contribuir para que ela seja utilizada de maneira mais consciente, transparente e responsável”, contou em nota Cristina Pastore, Diretora de Marca e Futuro da PUCPR e porta-voz da instituição no projeto.
A ferramenta foi submetida a cenários de avaliação, incluindo testes A/B com diferentes modelos de inteligência artificial. O objetivo foi verificar se as instruções conseguiam alterar de forma consistente o comportamento das ferramentas em situações distintas.
Projeto une academia e especialistas em IA
A criação do protocolo envolveu professores e pesquisadores da PUCPR, além do advogado, professor e pesquisador de tecnologia Ronaldo Lemos, do educador e consultor criativo especializado em IA generativa Paulo Aguiar e da 404 Innovation Studio.
Também em nota, Lemos explicou que “o que torna o Código Humanitas particularmente interessante, além de não ter precedentes similares no mundo, é transformar o uso responsável da inteligência artificial em uma ferramenta incorporada à interação cotidiana com a tecnologia. Em vez de apenas discutir o futuro da IA, criamos mecanismos para influenciar essa relação no presente”.
IA ganha estratégia própria na universidade
O projeto faz parte do posicionamento “Nunca Pare de Pensar”, adotado pela PUCPR para reforçar temas como pensamento crítico, curiosidade e capacidade de questionamento.
A universidade tem mais de 48 mil estudantes, cerca de 1.800 pesquisadores e 17 programas de Mestrado e Doutorado. Em 2023, criou o Observatório de IA para discutir os impactos e os limites éticos da tecnologia na educação.
Já em 2026, a instituição lançou uma Estratégia de IA voltada ao uso da tecnologia em diferentes áreas da universidade. A iniciativa contempla aplicações corporativas, atendimento e melhoria de processos.
O Código Humanitas também dialoga com princípios apresentados na encíclica “Magnifica Humanitas”, publicada pelo Papa Leão XIV em maio de 2026, que aborda a preservação do pensamento humano diante do avanço das máquinas.
Código pode ser usado em diferentes plataformas
A proposta não está limitada a uma ferramenta específica. O protocolo pode ser inserido no começo de uma conversa com diferentes sistemas de inteligência artificial, passando a funcionar como um conjunto de instruções para orientar a interação.
O propósito da PUCPR é levar a discussão sobre uso responsável da IA para situações cotidianas, sem restringir o acesso à tecnologia.
O Código Humanitas pode ser utilizado gratuitamente por pessoas que trabalham com diferentes plataformas de inteligência artificial está disponível neste link.






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