
A tecnologia passou a ser o principal fator de impacto para as organizações no mundo, de acordo com os dados da nova edição do “Monitor Global de Liderança”, estudo da Russell Reynolds Associates. Segundo o levantamento, 63% das lideranças apontam a tecnologia como a força mais determinante para os negócios, ultrapassando a preocupação com o crescimento econômico, que havia liderado o ranking desde 2023 e agora aparece com 57%.
O Brasil acompanha essa mudança pela primeira vez, com a preocupação dos impactos das novas tecnologias alcançando o mesmo nível registrado na média global. Isso indica que as empresas brasileiras passaram a enfrentar os mesmos desafios de transformação vividos por organizações de outros mercados.
Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds e Country Manager da empresa no Brasil, contou em nota que “o fato de a tecnologia ter alcançado, pela primeira vez, o mesmo peso no Brasil e no mundo mostra que as empresas brasileiras não estão mais só observando essa transformação de fora, mas vivendo-a na mesma velocidade das organizações globais. O desafio agora é transformar essa urgência em capacidade real de execução, porque a percepção de prioridade avançou muito mais rápido do que a confiança das lideranças em suas próprias equipes para entregar essas mudanças”.
Prioridade cresce, mas confiança ainda é limitada
Embora a tecnologia ocupe o topo das preocupações, a percepção de preparo das empresas ainda não acompanha esse movimento. Globalmente, a confiança das lideranças na capacidade de implementar as mudanças subiu de 44% para 51% em comparação com o segundo semestre de 2025.
No Brasil, a evolução foi mais intensa, passando de 31% para 42%. Ainda assim, menos da metade dos gestores acredita que suas organizações estejam prontas para executar as transformações exigidas pelo avanço tecnológico.
A instabilidade econômica, apesar de não citada na primeira posição, continua sendo um tema relevante, principalmente entre os executivos brasileiros. O indicador foi citado por 60% das lideranças no país, acima da média global. Apesar disso, 42% afirmam confiar na preparação das empresas para enfrentar esse cenário, percentual ligeiramente superior ao registrado no levantamento mundial.
As tensões geopolíticas também ganharam espaço entre as preocupações corporativas. No mundo, o tema foi mencionado por 54% dos entrevistados, enquanto no Brasil houve um crescimento ainda mais expressivo, chegando a 48% das citações.
Escassez de líderes preocupa mais do que falta de talentos
O estudo mostra uma redução da preocupação geral com a disponibilidade de talentos. Globalmente, o indicador caiu para 43%, o menor nível da série histórica. No Brasil, o percentual recuou para 38%.
Por outro lado, a confiança dos executivos brasileiros na capacidade das empresas de atrair, desenvolver e reter profissionais atingiu o menor patamar já registrado: apenas 20%. O levantamento também identifica uma distância entre as expectativas da nova geração de líderes e as oportunidades oferecidas pelas organizações.
Quase dois terços dos executivos afirmam estar abertos a mudar de emprego. Entre os profissionais mais jovens, 86% desejam assumir mais responsabilidades nos próximos dois ou três anos, enquanto 67% pretendem alcançar cargos de alta liderança. No entanto, apenas 29% acreditam que a empresa onde trabalham será capaz de atender essas expectativas, cenário que ajuda a explicar o aumento do desengajamento desse grupo.
IA acelera mudanças na força de trabalho
A transformação da força de trabalho voltou a aparecer entre os cinco principais fatores de preocupação das lideranças globais. O tema foi citado por 37% dos participantes da pesquisa.
Segundo o estudo, o avanço de tecnologias como inteligência artificial, aprendizado de máquina, robótica, big data e Internet das Coisas (IoT) está redesenhando estruturas organizacionais, funções profissionais e até mesmo as competências exigidas pelas empresas, ampliando a necessidade de adaptação das lideranças e das estratégias de gestão de pessoas.
O “Monitor Global de Liderança” ouviu mais de 3 mil gestores de 46 países, incluindo CEOs, executivos seniores, conselheiros e representantes da nova geração de líderes de setores como tecnologia, saúde, serviços financeiros, consumo, recursos naturais e serviços profissionais.






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