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A digitalização da saúde e a crescente incorporação de tecnologias clínicas vêm pressionando a formação médica a se atualizar. A ““Pesquisa sobre os desafios e abordagens para a formação médica de qualidade em tempos de saúde digital no Brasil”, da Wolters Kluwer Health, indica que a maioria das faculdades de medicina já capacita seus docentes para integrar ferramentas digitais ao processo educacional, ainda que desafios de maturidade e padronização persistam.

A pesquisa, que ouviu coordenadores de 72 instituições públicas e privadas em todas as regiões do país, mostra que 83,3% avaliam seus professores como parcial ou totalmente preparados para adotar tecnologias em sala de aula. O dado aponta avanço relevante, mas também evidencia lacunas na implementação plena, sobretudo na oferta de infraestrutura e suporte institucional.

A Head de Estratégia para Mercados Internacionais da Wolters Kluwer Health, Natália Cabrini, contou em nota que “hoje, exige-se não apenas acesso a recursos digitais de qualidade, mas também a sua integração efetiva às rotinas pedagógicas e assistenciais. O papel das instituições de ensino superior é decisivo para garantir que a formação médica acompanhe as necessidades reais do sistema de saúde, especialmente no que diz respeito à integração de tecnologias e à adoção de abordagens baseadas em evidências. Por isso, é essencial que, cada vez mais, o corpo docente esteja preparado para a inclusão de recursos digitais na educação médica”.

Simulação, evidências e metodologias ativas

Entre as soluções mais utilizadas, a simulação médica lidera com ampla adoção, seguida por plataformas de conhecimento clínico baseadas em evidências. Também aparecem aplicativos interativos e recursos de realidade virtual, indicando diversificação no uso de tecnologias educacionais. No acesso dos estudantes, livros digitais e bases científicas predominam, consolidando a difusão da Medicina Baseada em Evidências como eixo estruturante da formação.

No campo pedagógico, metodologias ativas ganham protagonismo e já são utilizadas pela maioria das instituições. O ensino baseado em problemas e a simulação prática aparecem como complementos relevantes, enquanto o modelo expositivo tradicional segue presente em metade dos cursos, indicando uma transição ainda em curso entre formatos.

Natália adiciona que “conteúdos digitais especializados têm se tornado parte da estrutura de apoio às atividades de ensino e aprendizagem no curso de medicina, considerando que 50% dos coordenadores afirmam promover amplamente o uso de MBE como prática padrão, impactando, de forma moderada ou significativa, o desempenho acadêmico dos estudantes em 93% das instituições”.

Base tecnológica se fortalece

A infraestrutura também evolui para sustentar esse novo cenário. A maior parte das faculdades dispõe de laboratórios de simulação avançada, além de parcerias com hospitais e clínicas equipados com tecnologias modernas. Ferramentas de apoio à decisão clínica também estão disponíveis para estudantes em grande parte dos cursos, ampliando a familiaridade com práticas digitais desde a graduação.

Apesar dos avanços, a pesquisa mostra que iniciativas específicas ainda têm menor alcance. Programas voltados à inteligência artificial, telemedicina e atualização tecnológica aparecem em uma parcela menor das instituições, sugerindo espaço para expansão. “A presença das lideranças acadêmicas, especialmente dos coordenadores de curso, é um elemento fundamental para a preparação dos estudantes. São esses profissionais que tomam decisões curriculares, acompanham as diretrizes educacionais e lideram a adoção de novos modelos formativos. Isso permite que eles identifiquem os avanços e os obstáculos mais críticos na jornada rumo a uma educação médica mais conectada às necessidades da sociedade e às exigências da medicina moderna”. finalizou Natália.

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