Transformação estratégica com inteligência artificial
Foto: Kaleidico/Unsplash

A inteligência artificial generativa vem remodelando a forma como as empresas trabalham e criam valor. Porém, diferentemente de ondas tecnológicas anteriores, os benefícios reais da IA não estão na simples adoção de ferramentas ou experimentos isolados, mas sim na integração profunda da tecnologia no modelo de negócios e no redesenho ambicioso dos processos operacionais.

Estudos da consultoria global Bain & Company mostram que menos de 20% das companhias conseguiram escalar significativamente seus esforços em IA generativa. Muitas caem na “armadilha da microprodutividade”, um cenário marcado por múltiplos pilotos e provas de conceito que geram ganhos pontuais, mas que não evoluem para resultados concretos e sustentáveis. O maior desafio para essas organizações é reiniciar a jornada com foco em resultados estratégicos e escaláveis.

Para Lucas Brossi, sócio e líder da prática de IA na Bain na América do Sul, o sucesso passa pela reinvenção estrutural do negócio, e não por projetos fragmentados. “As empresas que tratam a IA generativa como um projeto de inovação isolado estão desperdiçando seu potencial. É preciso estabelecer prioridades claras, definir metas ousadas e integrar a IA à estratégia principal do negócio, tornando o uso da tecnologia parte de seu DNA”, afirmou em nota.

Liderança ativa é essencial

O envolvimento ativo da liderança é decisivo para acelerar essa transformação. Brossi destaca que o patrocínio da alta gestão deve ser intencional, mensurável e contínuo, influenciando sistemas de incentivos, metas e programas de capacitação em todas as áreas. Sem esse compromisso claro, os esforços se fragmentam e perdem força para gerar impacto corporativo relevante.

O modelo operacional robusto é um pilar fundamental. Isso inclui o redesenho completo dos processos, governança rigorosa de dados e a capacidade de operar simultaneamente para executar e transformar. Pequenas células de transformação testam, validam e escalam soluções rapidamente, com repetição e coordenação contínua.

Um exemplo citado por Brossi é o de um grande banco que, ao aplicar IA no engajamento com clientes, reduziu o tempo para transformar insights em campanhas de até 100 dias para apenas um dia. Segundo ele, o diferencial está na integração entre áreas de negócio e tecnologia: “Não se trata de TI versus negócio. É sobre orquestrar as capacidades de toda a organização para transformar, de forma sustentável, a maneira como ela compete.”

Entre as frentes críticas identificadas pela Bain para sustentar a jornada da IA destacam-se a parceria entre negócios e tecnologia, governança de dados e organização das equipes com etapas bem definidas.

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