Imagem: Tara Winstead/Pexels

O avanço acelerado da inteligência artificial e o aumento da complexidade regulatória colocam 2026 como um ano decisivo para líderes de tecnologia. É o que indica o relatório “Top 10 Strategic Technology Trends for 2026“, do Gartner, que mapeia dez tendências estratégicas organizadas em três frentes prioritárias: construção de bases digitais resilientes, orquestração inteligente de tecnologias emergentes e fortalecimento da governança, da segurança e da confiança digital.

Na base dessa transformação estão as chamadas plataformas de desenvolvimento nativas em IA, que prometem redefinir a engenharia de software. Segundo a consultoria, até 2030, 80% das organizações devem migrar de grandes equipes de desenvolvimento para times enxutos ampliados por IA, capazes de entregar mais aplicações em menos tempo e com menor custo.

Outro pilar estrutural é a consolidação das plataformas de supercomputação para IA, impulsionadas pela demanda por modelos cada vez mais complexos e intensivos em dados. O Gartner projeta que 40% das empresas adotarão arquiteturas híbridas de computação até 2028, integrando CPUs, GPUs, aceleradores especializados e até computação quântica para suportar simulações avançadas, descoberta de novos materiais e aplicações críticas em clima, energia e saúde.

Confidencialidade com ampliação de automação

A proteção de dados sensíveis aparece com a expansão do “confidential computing“, que garante segurança durante o processamento das informações, inclusive em ambientes de nuvem. A expectativa é que, até 2029, 75% do processamento realizado em infraestruturas consideradas não confiáveis esteja protegido por esse modelo, respondendo ao avanço das leis de privacidade, às exigências de soberania de dados e ao uso crescente de IA em contextos regulados.

No campo da inovação aplicada, o relatório destaca a ascensão dos sistemas multiagentes, capazes de coordenar múltiplos agentes de IA especializados para executar fluxos complexos, e dos modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs), que oferecem maior precisão, menor risco e melhor aderência regulatória do que modelos genéricos. A estimativa é que 30% dos modelos de IA generativa corporativos serão específicos de domínio até 2028, especialmente em áreas como finanças, saúde e recursos humanos.

A chamada IA física também ganha espaço ao levar inteligência para o mundo operacional, com robôs, veículos autônomos e dispositivos inteligentes assumindo tarefas antes restritas a ambientes digitais. Projeta-se que 80% dos armazéns utilizem robótica ou automação até 2028, ampliando ganhos de produtividade, mas exigindo novos modelos de governança, segurança e integração entre sistemas.

Cibersegurança proativa

Já no eixo da confiança digital, a Gartner alerta para a necessidade de migrar de modelos reativos para uma cibersegurança preemptiva, capaz de antecipar e neutralizar ataques antes que eles ocorram. Até 2030, metade dos investimentos em software de segurança deve se concentrar nesse tipo de abordagem. O relatório também aponta o fortalecimento da proveniência digital, essencial para combater deepfakes, fraudes e riscos associados a software e conteúdo gerado por IA, além da consolidação das plataformas de segurança para IA, voltadas a mitigar riscos como vazamento de dados, uso indevido e ações de agentes autônomos.

Por fim, a tendência de geopatriação, uma realocação de cargas de trabalho para ambientes soberanos ou locais, pode se tornar prioridade estratégica diante de tensões geopolíticas e novas exigências regulatórias. A expectativa é que 75% das empresas adotem algum grau de geopatriação até 2030, equilibrando os benefícios da nuvem global com a necessidade de controle, resiliência e conformidade.

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