Por Haniel Cassiano* 

⁠Ao analisarmos o cenário da Inteligência Artificial nas organizações na América Latina, uma inquietação surge em comum: a maior parte das empresas sofre ao passar do entusiasmo inicial de um projeto para uma implementação que realmente impacte a operação do negócio. 

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial esteve associada principalmente a pilotos, provas de conceito ou ferramentas isoladas. Agora, essas organizações se veem num estágio de necessidade de avanço.  Segundo a Mckinsey, 92% das empresas planejam aumentar seus investimentos em IA nos próximos três anos, mas apenas 1% dos líderes consideram suas empresas “maduras” no aspecto de implementação. O processo de adaptação é necessário e toda transformação tecnológica começa assim. 

Vemos uma mudança interessante em muitas empresas da região. A conversa não deve ser em torno do que a inteligência artificial pode responder, mas do que pode ajudar a decidir dentro da operação diária. 

É aí que começa seu verdadeiro impacto. 

Em sua primeira etapa, a inteligência artificial se integrou principalmente por meio de interfaces de consulta ao consolidar assistentes que respondem perguntas, ferramentas que geram conteúdo ou sistemas que ajudam a interpretar informações. São aplicações valiosas, mas as organizações funcionam de outra maneira. As empresas não operam respondendo perguntas; operam tomando decisões todos os dias. 

Em setores como os de energia, finanças, telecomunicações ou varejo, milhares de eventos ocorrem simultaneamente, como, por exemplo, mudanças na demanda, alertas na infraestrutura, anomalias em dados ou incidentes operacionais que exigem interpretação rápida. Nesses contextos, o valor da inteligência artificial não está apenas em analisar informações, mas em ajudar a compreender o que está acontecendo e apoiar decisões dentro dos processos. 

Por isso, cada vez mais organizações estão explorando abordagens nas quais a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta adicional e começa a se integrar à própria arquitetura da operação. É o que alguns chamam de abordagem AI First, que consiste em projetar processos e sistemas considerando, desde o início, o papel que a inteligência artificial pode desempenhar. 

Isso implica conectar análise avançada, automação e sistemas operacionais para que a informação não seja apenas analisada, mas também ajude a antecipar eventos e ativar respostas dentro dos processos. 

Claro, isso não significa que as organizações estão entrando numa era de decisões completamente autônomas. A supervisão humana continua sendo fundamental. De fato, uma das mudanças mais relevantes trazidas por essa evolução é a transformação do papel das pessoas dentro das organizações. 

Quando tarefas repetitivas ou de monitoramento contínuo podem ser automatizadas, colocamos as equipes humanas para se concentrar naquilo que realmente agrega valor, que é interpretar contextos, gerenciar riscos e melhorar continuamente a operação. O desafio deixa de ser experimentar com inteligência artificial e passar a ser sua integração de forma estratégica nos processos que sustentam o funcionamento das organizações. 

No final, o valor da inteligência artificial não está no que ela pode responder, mas nas decisões que ajuda a tomar. 

*Haniel Cassiano é líder de Data e IA na SONDA do Brasil, líder regional em Transformação Digital.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *