
“Se a gente tivesse a solução, já teria ficado muito, muito rico”, brincou Daniela Santos, diretora de RH da Simpress, logo no começo do painel Gestão de Talentos Tech, realizado durante o Eatech Conference 2026 na Chapada dos Guimarães. Ela se referia, claro, à imensa dificuldade experimentada por recrutadores e profissionais de recursos humanos do setor de tecnologia, sedentos que estão para preencher tantas vagas em aberto.
“Todo mundo está enfrentando o desafio de reter e encontrar gente, e ao mesmo tempo manter a performance do negócio”, disse a executiva, que acumula 25 anos de experiência e tem uma trajetória curiosa: é formada em processamento de dados, e começou a carreira na área. Só depois migrou para a área de RH.
Segundo ela, a Simpress tem apostado em diversas frentes para lidar com o problema da falta de talentos. Um deles é a aposta nos jovens, com programas de estágio baseados em parcerias com a São Paulo Tech School (SPTech), instituição de ensino superior privada focada em tecnologia. Parte desses jovens, inclusive, é treinada para atuar em vendas.
“Trazemos esses profissionais de TI para duas áreas: a técnica e a comercial. Nós selecionamos os que tem competência para a área de vendas porque ter essa competência ajuda muito”, explicou. A empresa de outsourcing de equipamentos também aposta em subsídios educacionais, especialmente para mulheres.
Há ainda jornadas de tecnologia feita em parceiras com outras instituições e programas de formação e desenvolvimento de lideranças. Segundo ela, o desafio também está na cultura, o chamado “fit cultural”. “Precisamos saber o quanto a pessoa combina [com a empresa], e reprovamos muita gente com currículo muito bom, mas que não combina com a nossa cultura”, confidenciou.
A questão do home office
Além da mediação de Ricardo Tannus, cofundador da especialista em recrutamento catena.work, a conversa com Daniela Santos também serviu para que os CIOs presentes expressassem suas dúvidas e angústias. O assunto do retorno ao trabalho presencial e o mix ideal do trabalho híbrido foi fartamente explorado.
“Nossos desenvolvedores que têm mais tempo de empresa ainda estão 100% remotos. Mas os que estamos contratando agora são híbridos. A gente entende que é importante que eles se conectem mais com nossa cultura, processos e com as outras áreas. Depois de um período ele fica elegível ao ficar 100% remoto”, explicou a gestora, antes de admitir que isso não facilita o processo de contratação. “Nas últimas semanas acionamos 154 profissionais de TI, 50% toparam a proposta de trabalho híbrido e 50% recusaram. Essa é uma amostra recente.”

Segundo ela, metade dos candidatos só tem interesse em vagas totalmente remotas. Parte da explicação é a facilidade de oferecer serviços para empresas do exterior, e até de acumular dois ou mais empregos ao mesmo tempo.
“Todo mundo quer uma solução para todos os problemas, mas isso não existe. Depende muito do que sua empresa está precisando e do momento dela. O trabalho híbrido, pelo sim, pelo não, traz um ‘trade off’ [troca] razoável. Não se perde a cultura, mas também se consegue resolver [a expectativa do trabalhador]”, ponderou Tannus. Segundo ele, na catena.work o índice de desistência de candidatos na área de tecnologia ao trabalho híbrido é ainda maior, chegando a impressionantes 65%.






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