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A inteligência artificial avança sobre uma das áreas mais burocráticas das empresas: a gestão de contratos. Um estudo da Deloitte em parceria com a Docusign mostra que organizações brasileiras já registram ganhos médios de 36% em eficiência operacional e redução equivalente de custos ao aplicar IA nos fluxos de acordos corporativos.

O levantamento “Capitalização da IA: Como os fluxos de trabalho de acordos automatizados impulsionam o ROI” ouviu mais de 1.100 executivos em seis países, incluindo o Brasil. A pesquisa indica que a automação contratual deixou de ser apenas uma iniciativa ligada à digitalização documental e passou a integrar estratégias corporativas voltadas à produtividade, compliance e geração de valor.

“A Inteligência Artificial deixou de ser diferencial para se tornar requisito competitivo. As organizações que avançaram nessa jornada já não discutem o que é possível fazer — discutem o que, de fato, gera valor e resultados concretos”, destacou em nota Marcelo Salles, vice-presidente de Vendas da Docusign no Brasil.

Brasil acelera adoção de IA na gestão contratual

O mercado brasileiro aparece entre os mais avançados na adoção desse tipo de tecnologia. Segundo o estudo, 87% dos líderes de negócios afirmam utilizar algum nível de inteligência artificial nos processos de gestão contratual, seja de forma assistida, automatizada ou baseada em agentes inteligentes. O índice reflete uma aceleração do uso corporativo de IA em áreas tradicionalmente dependentes de validações manuais e ciclos extensos de aprovação.

A confiança dos executivos na capacidade da tecnologia também cresceu. Cerca de 58% dos entrevistados brasileiros disseram ter alta ou muito alta confiança no uso da IA para identificar riscos regulatórios locais e inconsistências contratuais. O cenário reforça uma mudança de percepção sobre o papel da inteligência artificial nas rotinas jurídicas e administrativas das empresas.

Salles explicou que “na Docusign também percebemos essa tendência de interesse pela IA para otimizar a gestão de contratos. No último ano fiscal, a adoção da nossa plataforma IAM cresceu 4 vezes no Brasil. Esse tipo de tecnologia que automatiza o ciclo de vida do contrato de ponta a ponta permite não apenas acelerar, mas também extrair valor estratégico de cada contrato, preparando as empresas para desafios complexos como a Reforma Tributária”.

Retorno financeiro

Os impactos operacionais já aparecem nos indicadores de desempenho. O estudo aponta redução média de 14 horas no ciclo de vida dos contratos, o equivalente a uma diminuição de 29% no tempo de processamento. Além da velocidade, as empresas relataram ganhos em qualidade documental. Entre os executivos brasileiros, 66% perceberam aumento da precisão dos contratos, enquanto 54% destacaram maior consistência nas cláusulas.

A pesquisa também mostra que o modelo de implementação influencia diretamente os resultados financeiros. Em nível global, empresas que utilizam plataformas integradas de gestão contratual com IA alcançam retorno sobre investimento 29% superior em comparação às organizações que operam com ferramentas fragmentadas e processos desconectados.

Gestão manual de contratos gera maior risco

Outro movimento identificado envolve o uso estratégico dos dados presentes nos contratos. Segundo o levantamento, muitas empresas ainda utilizam acordos assinados apenas como arquivos de armazenamento. Globalmente, 61% das organizações continuam extraindo informações desses documentos de forma manual, apesar do potencial da IA para transformar contratos em fontes de inteligência de negócios, apoio regulatório e tomada de decisão.

O estudo reforça ainda o peso econômico da gestão ineficiente de acordos corporativos. Dados anteriores da Deloitte estimam que falhas operacionais nesse processo geram perdas anuais próximas de US$ 2 trilhões para empresas em todo o mundo, com impactos ligados à baixa produtividade, atrasos operacionais e perda de oportunidades comerciais. Na América Latina, o prejuízo estimado varia entre US$ 140 bilhões e US$ 170 bilhões por ano.

A pesquisa ouviu diretores, vice-presidentes e executivos C-Level das áreas de vendas, jurídico, recursos humanos, tecnologia e compras em empresas da Austrália, Brasil, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

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