Foto: Mikhail Nilov/Pexels

A inteligência artificial ganhou uma posição entre as prioridades das empresas brasileiras, impulsionando mudanças na gestão de pessoas, produtividade e inovação. Apesar do elevado nível de confiança no potencial da tecnologia, a adoção ainda ocorre de forma gradual.

É o que revela o “Estudo de Tendências de Capital Humano 2026”, da Aon. Segundo o levantamento, 96% das organizações brasileiras acreditam que a inteligência artificial criará novas oportunidades de negócios e exigirá novas competências profissionais. Entretanto, apenas 35% afirmam já ter implementado soluções baseadas em IA. Outras 22% conduzem projetos-piloto, e 31% permanecem na etapa de pré-implementação.

Os dados indicam que a maioria das empresas ainda atravessa uma fase de preparação tecnológica e organizacional. Embora exista expectativa de ganhos em eficiência, inovação e desempenho, muitas organizações ainda estruturam processos, infraestrutura e equipes para ampliar o uso da tecnologia em escala.

Escassez de talentos limita avanço

A disponibilidade de profissionais qualificados continua sendo um dos principais obstáculos para acelerar a adoção da IA. O estudo mostra que somente 32% das empresas brasileiras afirmam conseguir contratar e reter talentos com competências específicas em IA, evidenciando um descompasso entre a velocidade da transformação tecnológica e a formação da força de trabalho.

Outro desafio envolve o uso estratégico de informações para apoiar decisões relacionadas à gestão de pessoas. Apenas 31% das organizações consideram possuir elevado grau de maturidade na gestão de dados de Recursos Humanos, capacidade considerada essencial para orientar políticas de remuneração, desenvolvimento profissional, sucessão e planejamento da força de trabalho.

Para reduzir essas lacunas, as empresas concentram investimentos em três prioridades: acelerar a transformação digital do RH, fortalecer a formação de lideranças e o planejamento sucessório e ampliar a produtividade dos colaboradores. A combinação dessas iniciativas busca criar estruturas capazes de acompanhar a rápida evolução das competências exigidas pelo mercado.

Tecnologia exige evolução da gestão de pessoas

Apesar da aceleração tecnológica, o estudo aponta que as competências humanas continuarão exercendo papel essencial para a competitividade das organizações. Adaptabilidade e capacidade de conduzir processos de mudança aparecem entre as habilidades consideradas mais relevantes para os próximos três anos, refletindo a necessidade de lideranças preparadas para ambientes de constante transformação.

“Os resultados mostram que as organizações do país já compreenderam o potencial transformador da Inteligência Artificial. O próximo passo é transformar essa convicção em capacidade organizacional. Isso exige investimento em qualificação, fortalecimento da liderança, uso mais estratégico de dados e uma proposta de valor ao colaborador capaz de acompanhar as mudanças do mercado. As organizações que conseguirem alinhar tecnologia e estratégia de pessoas estarão mais preparadas para acelerar resultados, fortalecer sua resiliência e gerar vantagem competitiva sustentável”, destacou em nota Fabio Martinez, Head of Health & Talent para o Brasil na Aon.

A avaliação reforça que o sucesso da transformação digital dependerá não apenas da incorporação de novas tecnologias, mas também da capacidade das empresas de desenvolver competências, revisar modelos de gestão e fortalecer a cultura organizacional.

Proposta de valor ainda apresenta lacunas

O levantamento também aponta que a retenção de profissionais depende de fatores que vão além da tecnologia. Apenas 20% das organizações brasileiras afirmam possuir uma Proposta de Valor ao Empregado (EVP) claramente estruturada e compreendida pelos colaboradores, indicando espaço para aprimorar a experiência dos profissionais e fortalecer o vínculo entre empresa e equipes.

Já os benefícios corporativos revelam uma diferença semelhante entre expectativa e oferta. Enquanto 75% dos colaboradores consideram importante ou extremamente importante ter acesso a benefícios personalizados, somente 12% dos empregadores informam disponibilizar esse tipo de solução. O estudo aponta que o uso mais intensivo de dados pode contribuir para desenhar programas mais alinhados às necessidades dos trabalhadores, favorecendo engajamento, retenção e produtividade.

Por fim, a pesquisa identificou avanços ainda limitados na transparência salarial. Apenas 31% das empresas classificam suas práticas nessa área como maduras ou muito maduras. O tema ganha relevância diante da implementação da Lei de Igualdade Salarial (Lei 14.611/2023), validada pelo Supremo Tribunal Federal.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *