Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Flickr

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançou o documento “O Futuro Não Pode Esperar: Ciência, Educação, Inovação e Soberania para um Projeto Nacional de Desenvolvimento”, com uma série de propostas voltadas à construção de políticas públicas de longo prazo. A publicação busca contribuir para o debate das Eleições 2026 e reúne recomendações fundamentadas em evidências científicas para enfrentar desafios estruturais do país.

O relatório parte da avaliação de que o Brasil já conhece os principais obstáculos ao seu desenvolvimento, mas enfrenta dificuldades para transformar diagnósticos em ações permanentes e coordenadas. A entidade defende que avanços sustentáveis dependem da continuidade de políticas públicas, da estabilidade institucional e da integração entre diferentes áreas estratégicas.

As recomendações abrangem oito temas considerados essenciais para o desenvolvimento nacional: educação, emergência climática, transição energética, biomas, rios e oceanos, agropecuária, minerais críticos e estratégicos, saúde e justiça social. As propostas foram elaboradas com base no conhecimento acumulado por pesquisadores da academia ao longo das últimas décadas.

Duas décadas de recomendações

O documento consolida análises e contribuições produzidas pela ABC nos últimos 20 anos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Estruturada em nove capítulos, a publicação revisita recomendações anteriores e mostra que boa parte das medidas defendidas pela instituição continua atual diante dos desafios enfrentados pelo país.

Entre os temas recorrentes estão o fortalecimento da educação, a ampliação dos investimentos em pesquisa científica, o financiamento contínuo da inovação e a valorização da formação de pesquisadores. A avaliação da academia é que essas iniciativas permanecem essenciais para ampliar a competitividade brasileira e apoiar o desenvolvimento econômico e social.

A publicação também identifica avanços registrados nos últimos anos, mas aponta que eles não foram suficientes para eliminar problemas estruturais que limitam o potencial científico e tecnológico do Brasil.

Gargalos para ciência e inovação

Segundo a análise da ABC, o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento ainda permanece abaixo do observado nas principais economias do mundo. O documento também destaca a perda de dinamismo da inovação empresarial e as diferenças regionais na capacidade de produção científica.

Outro ponto destacado é a situação da carreira científica. A instituição observa que a defasagem das bolsas de pesquisa e a falta de perspectivas profissionais reduzem a capacidade de atrair e reter novos pesquisadores, comprometendo a renovação do sistema nacional de ciência e tecnologia.

Para a academia, superar esses desafios exige políticas públicas permanentes que ultrapassem mudanças de governo e assegurem previsibilidade para investimentos em educação, pesquisa e inovação.

Recomendações para diferentes esferas de governo

Além dos diagnósticos, o documento apresenta orientações específicas para diferentes níveis da administração pública. Ao final de cada capítulo, a seção “Leituras para diferentes atores” reúne recomendações direcionadas à Presidência da República, ao Congresso Nacional e aos governos estaduais.

A proposta é indicar responsabilidades e formas de atuação para cada esfera de governo, favorecendo a implementação coordenada das medidas sugeridas. A ABC defende que temas como ciência, educação, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional dependem de articulação institucional, estabilidade legislativa, proteção orçamentária e capacidade de execução em todo o território nacional.

O documento completo pode ser obtido neste link.

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