
O mercado brasileiro de tecnologia da informação e comunicação ampliou a presença de mulheres, profissionais negros e pessoas com deficiência em 2025, ao mesmo tempo em que manteve ritmo de crescimento nas contratações. Dados do novo Relatório de Diversidade da Brasscom mostram que o setor de TIC encerrou o ano com 1,2 milhão de profissionais empregados e expansão de 1,8% no número de vínculos formais.
O levantamento reforça o peso econômico da atividade no país. O setor de TIC representa 58% dos empregos formais do Macrossetor TIC, segmento que inclui empresas de software, hardware, telecomunicações e grandes estruturas internas de tecnologia em companhias de diferentes áreas, como bancos e indústrias. Ao todo, o macrossetor responde por 3,7% dos empregos com carteira assinada no Brasil.
Entre os principais indicadores do estudo, o avanço feminino ganhou destaque. A participação das mulheres chegou a 39,2% da força de trabalho do setor, totalizando 485,7 mil profissionais. Em 2025, mais de 10 mil mulheres ingressaram na área, crescimento de 2,2%, acima da expansão masculina, que ficou em 1,6%.
Participação feminina cresce também na remuneração
O relatório também aponta melhora na remuneração feminina. O aumento salarial das mulheres atingiu 10,2% no período, superando os 6,7% registrados entre os homens. Com isso, o índice de equidade salarial alcançou 73%, retomando o patamar observado em 2023 e acumulando evolução de sete pontos percentuais desde 2019.
A presença feminina em cargos de liderança também avançou. Mulheres representam 35,2% das posições de diretoria e gerência nas empresas de TIC. Nas áreas ligadas a operações e pesquisa e desenvolvimento, a participação feminina chegou a 31%, crescimento de 7,5 pontos percentuais em seis anos. O estudo ainda mostra maior nível de escolaridade entre mulheres em cargos executivos, com maior proporção de pós-graduação, mestrado e doutorado.
Contratações de profissionais negros crescem, porém segue limitada na liderança
O recorte racial revela expansão mais acelerada entre profissionais pardos e pretos. Em 2025, trabalhadores pardos adicionaram mais de 17 mil novos vínculos formais no setor, enquanto profissionais pretos somaram mais de 4,3 mil contratações. Atualmente, pessoas pardas representam 27% da força de trabalho da área e profissionais pretos, 5%.
O avanço aparece principalmente em funções de entrada e suporte técnico. A participação de profissionais pardos em cargos de auxiliar, assistente e técnico cresceu de forma consistente desde 2019. Entre profissionais pretos, o aumento também ocorreu nessas categorias, ainda que em menor escala.
Apesar da evolução nas contratações, o levantamento aponta baixa presença de profissionais negros na alta liderança. Pessoas pardas ocupam 13,5% dos cargos de diretoria e gerência, enquanto profissionais pretos representam 1,9% dessas posições. O dado indica que a ampliação da diversidade ainda não chegou de forma homogênea aos níveis executivos do setor.
Regiões fora do eixo Sul-Sudeste ampliam diversidade
A distribuição regional também evidencia diferenças estruturais. Sudeste e Sul concentram a maior parte dos empregos em tecnologia e mantêm predominância de trabalhadores brancos. Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam composição racial mais diversa, com participação elevada de profissionais pardos.
Na inclusão de pessoas com deficiência, o setor de TIC manteve desempenho acima da média nacional. Profissionais PCDs representam 0,9% da força de trabalho da área, índice superior aos 0,7% registrados no mercado formal brasileiro. O segmento também apresenta maior equilíbrio de gênero entre trabalhadores com deficiência, com participação feminina próxima de 42%.
Jovens lideram crescimento
Outro dado relevante envolve o perfil etário. Mais da metade dos profissionais de TIC no Brasil tem entre 19 e 29 anos. O estudo identifica forte concentração das novas vagas em faixas mais jovens, indicando continuidade da entrada de novos talentos e renovação acelerada da mão de obra especializada.
“Vemos progressos tangíveis na equidade salarial, na representatividade feminina em liderança e na inclusão racial e de PCDs, especialmente nas posições de entrada e em áreas estratégicas. Contudo, os dados nos mostram que o caminho ainda é longo, particularmente na promoção de profissionais negros e pardos aos mais altos níveis hierárquicos. Seguimos dedicados a impulsionar ações que garantam não só a entrada, mas também o desenvolvimento e a permanência de todos os talentos no nosso setor”, explicou em nota Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação na Brasscom.
O relatório completo está disponível neste link.






Sem comentários registrados