Foto: Lukas Lehotsky/Unsplash

Os países que integram a Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS defenderam o fortalecimento da cooperação internacional em computação quântica como forma de acelerar o desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao setor nuclear. A posição foi apresentada durante o Fórum de Tecnologias Quânticas dos BRICS, realizado em Moscou, e mostra o interesse do bloco em ampliar iniciativas conjuntas de pesquisa, inovação e compartilhamento de conhecimento.

A declaração foi apresentada por Elsie Pule, coordenadora-chefe da Plataforma. Segundo o documento, a computação quântica tem potencial para transformar áreas estratégicas da economia e da indústria nas próximas décadas, com aplicações relevantes para modelagem avançada, engenharia, otimização de processos produtivos e logísticos e desenvolvimento de novos materiais para o setor nuclear.

“Reconhecemos o potencial significativo da computação quântica para os usos pacíficos da energia nuclear na resolução de uma ampla gama de desafios de modelagem e engenharia, na otimização de processos produtivos e logísticos e no desenvolvimento de novos materiais e tecnologias destinados a ampliar ainda mais a eficiência, a segurança e a confiabilidade da energia nuclear como um todo”, afirma a declaração da Plataforma.

Cooperação tecnológica e compartilhamento de conhecimento

Os participantes do fórum manifestaram apoio unânime ao avanço das tecnologias quânticas e destacaram a importância de tornar o conhecimento acumulado acessível a todos os membros da Plataforma.

“Nossa missão é garantir que as tecnologias nucleares avançadas contribuam para melhorar a qualidade de vida da humanidade. As primeiras aplicações da computação quântica na indústria nuclear russa já demonstraram o potencial significativo dessa tecnologia para tornar a geração de energia nuclear mais eficiente e confiável. O conhecimento e a experiência acumulados nessa área devem estar acessíveis a todos os participantes da Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS”, Elsie destacou em nota.

Plataforma busca ampliar adoção de tecnologias nucleares

Criada para fortalecer a cooperação entre organizações do setor nuclear dos países do BRICS, a Plataforma de Energia Nuclear tem como objetivo promover a energia nuclear como fonte de energia de baixa emissão de carbono. A iniciativa reúne empresas, associações e órgãos governamentais para incentivar o intercâmbio de conhecimento, a formação de profissionais e a adoção de tecnologias avançadas e melhores práticas em projetos nucleares.

A Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) participou da criação da Plataforma, representando o Brasil. A primeira reunião ocorreu em Moscou, em outubro de 2024, com representantes da Rússia, Brasil, China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Irã, Etiópia e Bolívia. Em 2025, a Autoridade de Usinas Nucleares do Egito (NPPA) e a Nucleo Brasil Energia Participações Ltda (NBEPar) aderiram à iniciativa.

Expansão nuclear nos BRICS

O debate sobre computação quântica ocorre em meio à expansão da energia nuclear entre os países do bloco. Dados apresentados no âmbito da Plataforma indicam que os BRICS deverão responder por aproximadamente dois terços do crescimento da capacidade nuclear mundial até 2030.

Para os participantes, a energia nuclear é considerada estratégica para ampliar a segurança energética, apoiar metas de descarbonização e estimular o desenvolvimento econômico sustentável. Atualmente, a Plataforma reúne organizações como Rosatom (Rússia), CNNC (China), NECSA e Eskom (África do Sul), NPPD (Irã), ABDAN e NBEPar (Brasil), ABEN (Bolívia), o Ministério da Inovação e Tecnologia da Etiópia e a NPPA (Egito).

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