Foto: Fortytwo/Unsplash

A inteligência artificial já ocupa espaço relevante no discurso dos profissionais de inovação no Brasil, mas ainda aparece pouco quando o assunto é aplicação prática. É o que mostra uma pesquisa da Innoscience, em co-realização com o Cubo Itaú, que analisou 2.485 profissionais de inovação e mais de 40 mil publicações em uma rede social profissional.

O estudo “O que está acontecendo com o profissional de inovação?”, apresentado durante o Cubo Conecta 2026, mostra uma carreira ainda relativamente nova. Do total analisado, 69,7% dos profissionais chegaram a funções ligadas à inovação a partir de 2021. Tecnologia e TI aparecem como principal área de origem, com 18,3%, seguidas por Engenharia e Produção, com 11,9%, e Estratégia e Planejamento, com 10,6%.

IA cresce no discurso

A presença da inteligência artificial nas publicações sobre inovação aumentou ao longo do período estudado. No último trimestre analisado, o tema apareceu em 24% dos conteúdos.

A familiaridade declarada com a tecnologia também avançou. Cerca de um em cada cinco profissionais analisados, ou 20,1%, afirma ter pelo menos uma habilidade relacionada à IA.

O uso efetivo, porém, aparece em uma escala bem menor. Apenas 2,1% das publicações mencionam aplicações da inteligência artificial no trabalho. A diferença sugere que falar sobre IA já se tornou comum entre profissionais de inovação, enquanto demonstrar como a tecnologia está sendo usada para resolver problemas ainda é menos frequente.

Atividade não é o mesmo que resultado

A pesquisa também aponta uma diferença entre mostrar o que está sendo feito e demonstrar o impacto dessas iniciativas. Projetos e atividades aparecem em 60,4% dos conteúdos de inovação avaliados. Já resultados e impactos são destacados em apenas 18,1%.

A distância é relevante para uma área que busca justificar investimentos e demonstrar valor para o negócio. A discussão deixa de ser apenas sobre quantidade de iniciativas e passa a envolver métricas, resultados e capacidade de transformar experimentos em aplicações concretas.

O levantamento também identifica uma diferença entre as competências observadas hoje e aquelas que devem ganhar importância até 2030, segundo projeções do World Economic Forum. Entre elas estão IA e big data, resiliência, flexibilidade, agilidade e disposição para aprender continuamente.

Cubo cria programa para founders de IA

A discussão sobre transformar conhecimento em aplicação aparece em uma nova iniciativa do Cubo Itaú. O hub lançou o AI Native Founders Program, comunidade voltada a empreendedores que estão desenvolvendo negócios com inteligência artificial como elemento central.

A primeira turma reúne 15 fundadores. O grupo inclui oito empreendedores que já venderam empresas criadas por eles, incluindo negócios adquiridos por companhias globais. Juntas, as startups representadas pelos participantes já captaram mais de US$ 4 milhões em investimentos.

O programa pretende aproximar os empreendedores de investidores da América Latina e estimular a troca de experiências entre os participantes. A entrada de novos integrantes ocorre por indicação da própria comunidade e passa por uma avaliação. Outra turma está prevista para o fim de 2026.

Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú, explicou em nota que “o estudo mostra que a inovação já incorporou a inteligência artificial ao seu vocabulário, mas ainda existe um caminho importante para transformar esse conhecimento em resultados. O AI Native Founders busca contribuir para esse movimento ao aproximar empreendedores, investidores e diferentes agentes do ecossistema”.

Inovação eficiente

A pesquisa e o novo programa foram apresentados na 9ª edição do Cubo Conecta, realizada em setembro em São Paulo. O evento reuniu cerca de mil founders, executivos C-level, investidores e outras lideranças do ecossistema de inovação.

Com o tema “A estética da inovação eficiente”, a programação passou por inteligência artificial, tecnologia, produtividade, liderança e novos modelos de negócios. Uma das áreas do encontro, a AI Frontiers, foi dedicada a aplicações práticas de IA.

Participaram do evento nomes como Caio Amato, Aretha Duarte e Rocky Yu, além de executivos e investidores ligados a empresas como Figma, Oracle, Stellantis, Itaú BBA, LAVCA, Altos Ventures e Innoscience.

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