Foto: Towfiqu barbhuiya/Pexels

O uso de inteligência artificial no Brasil e já supera a média global em frequência e integração ao cotidiano. Dados da nova edição da pesquisa “AI Sentiment Study”, da EY, apontam o país entre os oito mercados mais avançados na adoção da tecnologia, ao lado de economias como China, Índia, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul.

Segundo o estudo, 94% dos brasileiros utilizaram ferramentas de IA nos últimos seis meses, acima da média global de 84%. Apesar da forte adesão, o debate sobre confiança permanece central. Entre os brasileiros, 75% demonstram preocupação com possíveis invasões ou violações em sistemas de IA. Apenas 46% afirmam confiar nas empresas para proteger seus dados pessoais.

A supervisão humana aparece como uma das principais demandas dos usuários. Cerca de 74% dos entrevistados no Brasil defendem que sistemas de IA devem continuar sendo monitorados por pessoas, mesmo em cenários de alta precisão. Outros 57% temem decisões automatizadas desalinhadas de valores éticos ou prioridades individuais.

Confiança, transparência e governança desafiam avanço da IA

A responsabilidade das empresas também ganha relevância no debate. Para 71% dos brasileiros, há preocupação com organizações que não assumam consequências negativas decorrentes do uso de IA. Outros 61% questionam a capacidade das companhias de cumprir suas próprias políticas internas e regulações relacionadas à tecnologia. O estudo mostra que 62% dos brasileiros temem impactos na percepção da realidade diante da proliferação de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 87% defendem identificação clara quando conteúdos forem criados ou modificados por IA.

David Dias, sócio-líder de Inteligência Artificial da EY na América Latina, comentou em nota que “os mercados pioneiros podem ser vistos como uma prévia de quão rapidamente a adoção da IA ​​pode acontecer quando o uso, a confiança e a capacidade avançam em conjunto. A confiança é ponto determinante na economia da IA, mas hoje, é inegável que a adoção está avançando mais rápido do que a confiança. Por isso, as organizações devem conquistar a confiança por meio de experiências positivas no dia a dia, apoiadas por dados confiáveis, diretrizes claras e responsabilidade para reduzir a lacuna entre comportamento e sentimento do usuário”.

O Brasil também aparece acima da média dos chamados mercados pioneiros em iniciativas de treinamento e educação em inteligência artificial. Segundo a pesquisa, 47% dos brasileiros relatam acesso significativo a capacitação sobre IA, contra média de 36% entre os demais países líderes em adoção.

Consumidores cobram eficiência

A expectativa por benefícios concretos da tecnologia influencia diretamente a relação entre consumidores e empresas. Entre os entrevistados brasileiros, 68% esperam atendimento mais rápido e serviços mais eficientes com o uso de IA. Outros 62% associam a tecnologia à redução de custos e melhor relação custo-benefício.

No Brasil, 71% afirmam se sentir confortáveis em compartilhar dados ligados à saúde e bem-estar para personalização de serviços. Outros 65% aceitam fornecer informações demográficas, enquanto 58% dizem não se incomodar em compartilhar prompts, mensagens e documentos utilizados em plataformas de IA.

Uso cotidiano em serviços e mobilidade

A pesquisa ainda aponta uma consolidação da inteligência artificial como assistente pessoal em atividades do cotidiano. Entre os brasileiros, 49% utilizam IA para resolver problemas de atendimento ou faturamento. O uso em sistemas de navegação e rotas também se destaca, chegando a 45% no país. Ferramentas de IA aplicadas ao planejamento de viagens seguem em expansão. Globalmente, o índice de usuários nessa categoria passou de 17% em 2025 para 25% em 2026. No Brasil, o percentual alcançou 29%.

“O Brasil tem por característica ser aberto a experimentar novidades e isso é retratado na pesquisa. Se conseguirmos alinhar esse aspecto cultural com questões de regulamentação, escalabilidade, força de trabalho, o potencial é ainda maior, uma vez que a velocidade de transformação nos exige uma reinvenção cada vez mais rápida e constante. Além do aumento no uso da IA no comparativo de 2025 com 2026, o estudo reforça que as tarefas cujos resultados são fáceis de revisar, corrigir ou alterar lideram o uso de IA”, complementou Dias.

A pesquisa ouviu mais de 18 mil pessoas em 23 países entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 para mapear como consumidores utilizam, percebem e projetam o futuro da IA em diferentes mercados.

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