Foto: Alex Green/Pexels

A digitalização dos processos de recrutamento pode até ter acelerado contratações e reduzido custos operacionais nas empresas. Mas o uso demasiado de inteligência artificial nas etapas de seleção começa a expor um desafio crescente para o RH: a perda de candidatos ao longo da jornada.

Dados de uma pesquisa da Heach Recursos Humanos mostram que a automação excessiva vem afetando a confiança dos profissionais e ampliando a evasão em processos seletivos. O levantamento realizado pela empresa em abril de 2026, com 1.823 respondentes, aponta que 47,3% dos candidatos já abandonaram seleções por falta de confiança. Entre os principais fatores está justamente o uso intensivo de ferramentas automatizadas. Para 36,8% dos entrevistados, o excesso de automação foi decisivo para desistir da vaga.

Desconfiança trava recrutamento automatizado

A resistência aparece logo nos primeiros contatos. Segundo a pesquisa, 87,6% dos profissionais afirmam não confiar plenamente em abordagens feitas por canais automatizados, como mensagens via WhatsApp, e-mails automáticos ou plataformas digitais. Como consequência, 39,4% ignoram essas comunicações e 11,7% chegam a bloquear o contato.

“O maior risco da inteligência artificial no recrutamento não é excluir pessoas, mas afastá-las antes mesmo de serem avaliadas. Se não há confiança no primeiro contato, o processo praticamente se encerra ali“, contou em nota Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos.

A triagem automatizada também concentra os maiores índices de abandono. Apenas 48,9% dos candidatos seguem no processo após essa etapa inicial. Entre profissionais com mais de dez anos de experiência, o nível de rejeição ao modelo automatizado sobe para 91,2%, indicando uma percepção mais crítica sobre a ausência de interação humana nas seleções.

Experiência do candidato vira desafio para RH

O estudo ainda mostra preocupação crescente com golpes e fraudes digitais. Cerca de 29,1% dos entrevistados associam processos automatizados a possíveis tentativas de fraude, enquanto 41,6% dizem buscar validações externas antes de prosseguir em uma candidatura. Entre profissionais desempregados, a taxa de abandono chega a 52,6%, mesmo diante da necessidade de recolocação.

Embora plataformas baseadas em IA tenham ampliado a velocidade de recrutamento, a experiência do usuário passou a influenciar diretamente a retenção de talentos nos funis de seleção. A tendência é que áreas de recursos humanos revisem fluxos automatizados e reforcem mecanismos de validação e confiança para evitar impactos negativos na atração de profissionais qualificados.

Teixeira finalizou dizendo que “estamos vivendo uma transição importante no recrutamento. A tecnologia é fundamental para dar escala e velocidade, mas ela não pode substituir a construção de confiança. As empresas que conseguirem equilibrar eficiência com uma experiência mais humana terão mais sucesso em atrair e reter os melhores profissionais”.

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