Foto: Jakub Zerdzicki/Unsplash

O setor público permaneceu, pelo segundo ano consecutivo, como o principal alvo dos cibercriminosos. É o que revela o relatório global “Anatomia do mundo cibernético”, da Kaspersky Security Services, que aponta as instituições governamentais como responsáveis por 19% de todos os incidentes de alta gravidade registrados em 2025.

Logo atrás aparecem as empresas industriais, com 17% das ocorrências. A principal mudança no ranking foi a ascensão do setor de tecnologia da informação, que alcançou 15% dos casos e passou a ocupar a terceira posição, deixando o segmento financeiro fora do grupo dos três mais atingidos.

O estudo reúne informações obtidas pelos serviços de resposta e monitoramento da Kaspersky, incluindo Managed Detection and Response (MDR), Incident Response, Compromise Assessment e SOC Consulting. A análise identifica os principais vetores de ataque, técnicas empregadas pelos criminosos e a distribuição dos incidentes entre diferentes setores da economia e regiões do mundo.

Governo enfrenta ataques mais sofisticados

Entre as organizações públicas, as ameaças persistentes avançadas (APTs) responderam por 33,3% dos incidentes registrados. Esse tipo de ataque costuma envolver operações planejadas, com alto grau de sofisticação e permanência prolongada nos ambientes comprometidos.

A engenharia social também teve papel relevante, representando 18,9% dos casos, reforçando que a manipulação de usuários continua sendo uma das estratégias mais eficazes para invadir redes corporativas, mesmo em ambientes protegidos por tecnologias de segurança.

Segundo a Kaspersky, esse cenário exige uma combinação de controles técnicos e políticas de governança. Medidas como controle de acesso baseado em funções e limitação de privilégios ajudam a reduzir os impactos quando uma conta é comprometida, especialmente em estruturas governamentais de grande porte.

Indústria amplia testes preventivos

No setor industrial, o relatório identifica uma distribuição mais equilibrada entre diferentes tipos de ameaças. Os ataques atribuídos a APTs representaram 17,8% dos incidentes, enquanto malware respondeu por 14,9% e ações de engenharia social por 13,9%.

Esse perfil demonstra que as indústrias são alvo de grupos criminosos com diferentes motivações e níveis de capacidade técnica, sem predominância de um único tipo de ataque.

Outro destaque é o crescimento das iniciativas de Red Teaming, exercícios autorizados que simulam ataques reais para identificar vulnerabilidades. Eles corresponderam a 22,8% dos registros no setor, o maior percentual entre os segmentos mais afetados, indicando maior investimento em avaliações preventivas de segurança.

Setor de TI vira alvo estratégico

O setor de tecnologia apresentou a maior concentração de ataques conduzidos por grupos de APT. Segundo o levantamento, 41% dos incidentes registrados tiveram origem nesse tipo de operação, o maior índice entre todos os setores analisados.

O relatório destaca que empresas de tecnologia são vistas como alvos estratégicos por integrarem cadeias de fornecimento digitais. Ao comprometer um fornecedor, criminosos podem ampliar o alcance das invasões e atingir diversas organizações conectadas ao mesmo ecossistema.

Além disso, vestígios de atividades anteriores de APTs apareceram em mais de 17% dos casos. Já a engenharia social respondeu por 11% dos incidentes, enquanto o Red Teaming representou apenas 9%, percentual considerado baixo diante do nível de exposição enfrentado pelo setor.

Depois de anos entre os segmentos mais visados, o setor financeiro saiu das três primeiras posições do ranking. Para a Kaspersky, esse movimento pode estar relacionado ao elevado investimento em avaliações preventivas de segurança. Os exercícios de Red Teaming responderam por 36,1% dos incidentes registrados no setor financeiro, a maior proporção observada entre todos os segmentos analisados. Em contrapartida, os ataques confirmados de APT representaram 11,5%.

Esse comportamento confirma que programas contínuos de testes e validação da segurança contribuem para identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas por criminosos, reduzindo prejuízos operacionais e impactos à reputação das organizações.

Cibersegurança como estratégia permanente

Para Claudio Martinelli, diretor-geral da Kaspersky para as Américas, a proteção digital precisa fazer parte da estratégia contínua das organizações, especialmente em setores considerados essenciais.

Em nota Martinelli citou que “os dados mostram que a cibersegurança precisa ser tratada como uma capacidade permanente de continuidade dos negócios, e não apenas como uma resposta a incidentes isolados. Em setores que sustentam serviços públicos, operações industriais e cadeias digitais, reduzir o risco depende de combinar visibilidade, preparação e capacidade de reação. As organizações que testam regularmente suas defesas, identificam falhas antes que sejam exploradas e conseguem conter rapidamente uma intrusão estarão mais bem posicionadas para proteger suas operações e preservar a confiança de clientes, parceiros e da sociedade”.

Entre as principais recomendações de proteção estão a adoção de serviços de detecção e resposta gerenciadas (MDR), fortalecimento dos centros de operações de segurança (SOC), realização contínua de avaliações de maturidade em segurança e implantação de plataformas XDR capazes de correlacionar eventos, aplicar inteligência baseada em Machine Learning e automatizar a resposta a ameaças.

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