
O fortalecimento da cibersegurança como eixo de política pública é o tema do artigo “Segurança Cibernética como Política de Estado: Como o Brasil Pode Transformar Proteção em Vantagem Estratégica”, divulgado pelo Observatório Softex. O material integra a série Observando e analisa como o país pode converter proteção digital em capacidade institucional, competitividade econômica e soberania tecnológica.
O estudo examina a consolidação de um novo arcabouço regulatório no Brasil, impulsionado pela Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), estabelecida pelo Decreto nº 12.573/2025. A avaliação indica que a segurança digital deixou de ser tratada como tema exclusivamente técnico e passou a ocupar posição central em discussões sobre infraestrutura crítica, confiança digital e continuidade de serviços essenciais.
Segundo dados reunidos no artigo, mais de 161 milhões de brasileiros com dez anos ou mais utilizam internet, enquanto o parque de dispositivos conectados já chega a 480 milhões entre computadores e smartphones. Esses sistemas sustentam desde serviços públicos até operações financeiras e logísticas de alta complexidade.
Avanço das ameaças digitais
O ambiente internacional de ciberameaças se tornou mais sofisticado com a evolução da inteligência artificial e a fragmentação geopolítica. O artigo cita levantamento do Fórum Econômico Mundial indicando que 94% dos especialistas veem a IA como principal vetor de transformação da cibersegurança, enquanto 87% apontam vulnerabilidades tecnológicas como o risco de crescimento mais acelerado em 2025.
Na América Latina, o cenário também é de intensificação. O estudo aponta que a região registrou o maior crescimento global em ataques cibernéticos em 2025, com média superior a 3 mil tentativas semanais por organização. O Brasil aparece simultaneamente como alvo recorrente e como ponto de origem de ataques de negação de serviço (DDoS), muitas vezes associados a redes de dispositivos vulneráveis.
Casos envolvendo sistemas públicos como ConecteSUS, Siafi e incidentes de vazamento de dados ligados ao INSS são citados como exemplos de impacto direto sobre políticas públicas, operação estatal e confiança institucional. Para os pesquisadores do Observatório Softex, o desafio atual é converter avanços normativos em capacidade operacional, com coordenação federativa, formação de profissionais e redução da dependência de tecnologias externas.
Cibersegurança como dimensão estratégica do Estado
A análise também reforça a necessidade de evolução institucional. “A cibersegurança deixou de ser uma agenda exclusivamente técnica para se tornar uma dimensão estratégica da soberania digital e da capacidade do Estado. O Brasil avançou na formulação de marcos importantes, mas o próximo passo será transformar diretrizes em capacidade operacional, coordenação federativa e resiliência sistêmica”, pontuou em nota Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
O artigo organiza propostas em três horizontes de atuação. No curto prazo, destaca a implementação do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026–2027), o fortalecimento do CISC gov.br como centro de coordenação de incidentes e a criação de métricas nacionais de maturidade cibernética para órgãos públicos e setores críticos.
No médio prazo, o estudo propõe a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança com atuação transversal, a definição de padrões mínimos de resiliência para infraestruturas críticas e a ampliação de exercícios nacionais de resposta a incidentes, envolvendo governo e setor privado.
Já no longo prazo, o documento defende uma estratégia de soberania tecnológica aplicada à segurança digital, com redução de dependência externa em software, hardware e serviços de nuvem. Também aponta a necessidade de preparação para desafios como criptografia pós-quântica e impactos da inteligência artificial sobre sistemas críticos.






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