
A transformação digital do agronegócio brasileiro ganhou ritmo em 2025 e colocou o setor entre os que mais evoluíram no país em maturidade digital. Dados do “Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr)”, desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), mostram que o indicador do segmento passou de 3,1 para 3,6 em uma escala de seis pontos. O resultado aproxima o agro da média nacional e reforça a adoção crescente de estratégias voltadas à digitalização dos negócios.
O levantamento mede anualmente o estágio de transformação digital das empresas brasileiras com base em critérios como estratégia, infraestrutura, cultura organizacional, inovação e uso de tecnologias. A metodologia permite acompanhar a evolução das organizações e identificar como diferentes setores respondem às exigências de produtividade, competitividade e modernização impulsionadas pela economia digital.
Entre os principais avanços do agronegócio estão as dimensões de infraestrutura, que alcançou nota 4,4, e estratégia, com 4,2, ambas acima da média nacional registrada pelo estudo. A dimensão de pessoas e cultura também apresentou evolução relevante ao atingir 3,7, indicando maior preparo das organizações para incorporar competências digitais às operações.
Liderança impulsiona a transformação
O estudo aponta que a transformação digital no campo deixou de ser uma iniciativa restrita às áreas de tecnologia e passou a fazer parte das decisões estratégicas das empresas. A mudança acompanha um cenário de maior digitalização das cadeias produtivas, avanço da agricultura de precisão, conectividade no campo e expansão do uso de dados para apoiar decisões operacionais e de negócios.
Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil, explicou em nota que “a transformação digital no agronegócio deixou de ser uma discussão sobre adoção de tecnologia e passou a ser uma pauta da liderança. O avanço depende menos das ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de estruturar processos, desenvolver pessoas e tomar decisões orientadas por dados. O agronegócio brasileiro está diante de um cenário que pede ação: evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação verdadeiramente estratégica, capaz de reinventar modelos de negócio, ampliar a competitividade global e sustentar o crescimento no longo prazo”.
Segundo o ITDBr, 90% das empresas do setor relatam aumento da eficiência operacional como principal resultado da jornada de transformação digital. Além disso, 54% afirmam que a digitalização contribuiu para aprimorar os processos de tomada de decisão.
Inovação ainda avança lentamente
Outro dado relevante mostra que 49% das empresas do agronegócio já se enquadram no perfil de organizações classificadas como “otimizadoras”, percentual significativamente superior à média geral, de 33,5%. O indicador revela maior capacidade de utilizar tecnologias para melhorar processos, produtividade e desempenho operacional.
Apesar da evolução, o estudo identifica limitações na adoção de tecnologias mais avançadas. A maturidade relacionada à inteligência artificial alcançou índice de 3,4, ainda abaixo da média nacional, de 3,7. O cenário é ainda mais desafiador na dimensão de fronteira tecnológica, cuja pontuação caiu para 1,8, refletindo uma adoção reduzida de soluções emergentes capazes de impulsionar novos modelos de negócio.
Os obstáculos também permanecem na gestão da transformação digital. Para 54% das empresas, o principal desafio está em estruturar a digitalização de forma organizada e contínua. Outros 46% apontam dificuldades para integrar as iniciativas digitais aos projetos já existentes. Como consequência, apenas 8% das organizações são classificadas como “visionárias”, índice inferior à média nacional de 16%.
Planejamento estratégico é oportunidade
“Os resultados mostram que o agronegócio atravessa um momento de transição, concentrado principalmente na otimização de suas operações atuais. Ainda assim, a ausência de uma visão mais orientada ao futuro pode limitar a velocidade de evolução do setor diante das crescentes demandas do mercado global, em que a inovação contínua é cada vez mais crítica para a longevidade das empresas”, apontou também em nota Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.
O levantamento identifica ainda áreas prioritárias para acelerar a maturidade digital do setor. A otimização de processos lidera as oportunidades de evolução, citada por 21% das empresas, percentual superior ao observado na média das demais indústrias. Na sequência aparece o fortalecimento da cultura de inovação e experimentação, mencionado por 18% das organizações.
Mayra complementou destacando que “os dados mostram que o setor reconhece a importância de testar, aprender e evoluir. A alternativa é a definição de estratégia e roteiro, pouco citada no agronegócio (5%), em comparação com 14% na média geral. Embora seja uma das maiores lacunas em outros setores, no agro ainda não é percebida como um ponto crítico de evolução, o que pode indicar maior foco em melhorias táticas e operacionais de curto prazo, em vez de um planejamento estruturado”.






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