O Brasil tem bons cases no mundo digital. Os serviços ofertados pelo governo federal é um deles, assim como o desenvolvimento da indústria financeira ao longo dos anos. Mas se de um lado estão cases interessantes, do outro, está um país ainda pouco conectado com o restante do mundo. Se essa percepção era válida para indústria tradicional, ela e repete para o mundo digital. Diante dessa realidade, o Redata pode ser um mecanismo para mudar esse cenário e acelerar a presença do país no mercado digital global. Pelo menos é o que defende instituições do setor que participaram do Data Center World, em São Paulo.

Luiz Henrique Barbosa da Silva, presidente-executivo da TelComp, reforça essa tese de isolamento do Brasil. Na visão dele, parte dessa equação se deve ao foco em explorar apenas o mercado nacional. A consequência, explica Silva, é produzir anormalidades. “Quando tentamos nos conectar com cadeias globais, o problema aparece. Por isso, é mais barato ter data center em Miami. O Redata é estar com linha com o que acontece no mundo todo. Para nos inserirmos como player global, temos de ter agenda com segurança jurídica e equalizarmos impostos com padrão de outros países”.

Por mais que tenha sido amplamente bem recebido pelas empresas de data centers e entidades de classe, o Redata não é bala de prata. Como ressalta Victor Arnaud, presidente da Equinix Brasil, o mercado vai crescer sim ou sim. A própria Equinix havia anunciado ampliação de investimentos locais antes mesmo da aprovação da medida. Agora, pondera Arnaud, a batalha está na regulamentação e garantir que ela permita regras simples e claras. 

“O Brasil vai ser grande de qualquer forma, com Redata ganha proporção que nunca tivemos em regulação. E, se tivemos inteligência na regulação da IA, teremos ainda mais oportunidades. Precisamos passar pelos desafios da regulamentação do Redata e pela lei de IA”, reforça o presidente da Equinix.

Os executivos entendem que o projeto do Redata corrige distorções e pode permitir repatriar dados que rodam no exterior simplesmente por questões de custos. O Ministério da Fazenda calcula que 60% dos workloads brasileiros são processados em data centers no exterior. Hoje rodar um workload em um data center nos Estados Unidos é mais barato que rodar em São Paulo. E isso pode ser corrigido.

Além da briga por uma regulamentação rápida e sensata do Redata, outro ponto desse debate envolve o ICMS cobrado pelos estados que, atualmente, representa um terço da carga tributária que nos encarece, como lembrou Valter Wolf, diretor de projetos e parcerias em tecnologia da Brasscom. A associação discute com as unidades da federação uma redução de 90% do ICMS para a lista de equipamentos contratados pelo Redata, que são em torno de 25. 

“Há uma briga entre os países, competimos com Índia, Paraguai e deixamos isso claro nas conversas com os Estados. Se o investimento vem, todo ecossistema se alavanca, em especial energia, conectividade, cibersegurança. Isso impacta o processamento de dados brasileiros”, resumiu Wolf.

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