
A transformação digital deve ocupar um espaço central nas prioridades do próximo governo federal. Essa é uma das principais mensagens da “Agenda Digital – Propostas para o Ciclo 2027–2030”, documento apresentado pela Brasscom durante um encontro realizado em parceria com o JOTA. A iniciativa reúne propostas para áreas como infraestrutura digital, inovação, formação de profissionais, conectividade e modernização do Estado.
O evento contou com representantes de campanhas à Presidência da República, além de executivos, especialistas e formuladores de políticas públicas.
Tecnologia como estratégia de desenvolvimento
A Brasscom defende que tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem, dados e cibersegurança sejam tratadas como componentes da estratégia econômica brasileira. A proposta é criar condições para aumentar a produtividade das empresas, atrair investimentos, estimular novos negócios e ampliar a oferta de empregos qualificados.
Affonso Nina, presidente da Brasscom, destacou em nota que a relação entre digitalização, crescimento econômico e inclusão. “Nós acreditamos que o desenvolvimento digital impulsiona o crescimento da economia de uma forma sustentável e melhora a nossa inclusão social. A gente entende que o Brasil precisa ter mais inclusão digital para melhorar a inclusão social”.
A agenda também parte de uma característica particular do Brasil: a combinação entre uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis, capacidade de produção de conhecimento e um grande mercado consumidor. Para a entidade, esses ativos podem ajudar o país a disputar investimentos e posições em cadeias globais de valor ligadas à tecnologia.
Data centers ganham mais espaço na estratégia
A expansão dos data centers é um dos pontos diretamente relacionados à infraestrutura necessária para a economia digital. O crescimento da inteligência artificial e de outras aplicações de alto processamento aumenta a demanda por eletricidade estável, disponível em larga escala e com menor impacto ambiental.
A matriz energética brasileira pode funcionar como uma vantagem competitiva na atração desses investimentos. Ao mesmo tempo, a expansão da infraestrutura precisa ser planejada para evitar pressão sobre o fornecimento destinado aos demais consumidores.
Outro desafio está relacionado ao armazenamento de energia, uma vez que o avanço das fontes solar e eólica amplia a necessidade de soluções capazes de equilibrar geração e consumo. Por isso, a Agenda Digital propõe uma estratégia nacional para desenvolver capacidade tecnológica e produtiva nessa cadeia, reduzindo dependências externas e criando oportunidades industriais para o país.
Formação de profissionais em destaque
A disponibilidade de mão de obra qualificada é outro ponto considerado decisivo para o avanço da economia digital. A Brasscom defende investimentos em educação, pesquisa e formação de profissionais capazes de atuar em áreas estratégicas da tecnologia.
A proposta inclui pesquisadores, desenvolvedores e engenheiros, além de iniciativas voltadas ao letramento digital. A intenção é ampliar tanto a oferta de especialistas quanto a capacidade da população de utilizar tecnologias no trabalho e na vida econômica.
A agenda relaciona a qualificação profissional com empregabilidade e produtividade, gerando maior participação dos trabalhadores em uma economia que depende cada vez mais de competências digitais.
Da pesquisa à criação de negócios
A Brasscom também propõe medidas para aproximar universidades e centros de pesquisa a empresas, para facilitar a transformação de conhecimento científico em produtos, serviços, startups e soluções tecnológicas com potencial de mercado.
Para isso, o documento reúne propostas relacionadas a segurança jurídica, regulação, simplificação tributária, acesso a capital e digitalização de pequenas e médias empresas. A atração de investimentos e o aumento das exportações de produtos e serviços digitais também fazem parte desse eixo.
A entidade considera que o Brasil precisa reduzir a distância entre a produção de conhecimento e a geração de valor econômico. Com maior integração entre pesquisa, desenvolvimento, inovação e mercado, a expectativa é fortalecer empresas brasileiras e ampliar sua participação em setores tecnológicos de maior valor agregado.
Conectividade para todos
A expansão da conectividade aparece como outra condição para democratizar os ganhos da transformação digital. Além de ampliar o acesso à internet, a agenda defende melhorias na qualidade dos serviços para que empresas de diferentes regiões consigam incorporar tecnologia e competir em melhores condições.
A infraestrutura de conexão também está diretamente ligada à formação profissional. Com acesso à internet e ferramentas digitais, trabalhadores podem participar de programas de capacitação e acessar novas oportunidades de emprego, inclusive fora dos grandes centros econômicos.
A modernização do Estado completa o conjunto de prioridades, onde a Brasscom propõe um setor público mais integrado, eficiente, transparente, com maior uso de dados e tecnologias digitais para reduzir burocracias, melhorar políticas públicas e facilitar a prestação de serviços.
A Agenda Digital 2027–2030, portanto, coloca a tecnologia como uma das bases para discutir o desenvolvimento brasileiro nos próximos anos. A proposta da entidade é conectar infraestrutura, energia, talentos, inovação, conectividade e governo digital para transformar capacidade tecnológica em produtividade, investimentos, empregos qualificados e maior presença do Brasil na economia global.
A íntegra do documento está disponível neste link.






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