Imagem: Divulgação/Check Point Software

As empresas brasileiras enfrentaram uma média de 4.151 ataques cibernéticos por organização a cada semana em julho de 2026. O número representa crescimento de 45% em relação ao mesmo mês de 2025 e ficou bem acima da média global, de 2.336 ataques semanais por organização. Os dados fazem parte do levantamento mensal da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da Check Point Software.

O setor governamental continuou como o principal alvo no país, tendo na sequência energia, serviços públicos e serviços financeiros entre os segmentos mais atingidos. No cenário global, o levantamento aponta que o avanço dos ataques ocorreu junto com uma forte aceleração dos casos de ransomware e com novos riscos relacionados ao uso corporativo de ferramentas de inteligência artificial generativa.

Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research, apontou em nota que “os dados de julho mostram que o risco cibernético está se acumulando em várias frentes ao mesmo tempo. O volume de ataques continua aumentando, o ransomware acelerou de forma significativa e a exposição relacionada à IA generativa já faz parte da rotina das empresas. As organizações precisam de uma abordagem preventiva de segurança, baseada em IA, que proteja redes, usuários, dados e fluxos de trabalho de IA antes que os ataques provoquem impactos”.

América Latina lidera volume de ataques

A América Latina foi novamente a região com maior volume de ataques cibernéticos em julho. Foram 3.561 incidentes semanais por organização, alta de 19% na comparação anual. Ásia-Pacífico ficou em segundo lugar, com 3.316 ataques, enquanto a África registrou 3.237, mesmo após uma queda de 5% em relação a julho de 2025.

A Europa teve uma das maiores taxas de crescimento entre as regiões analisadas, com alta de 18% e média de 2.051 ataques por organização por semana. Na América do Norte, foram 1.613 ataques semanais, aumento de 9%.

No mundo, educação permaneceu na liderança entre os setores mais atacados. O segmento registrou 4.848 ataques por organização por semana, aumento de 14% em um ano. Governo apareceu em segundo lugar, com 3.044 ataques, seguido por telecomunicações, com 2.927. Energia e serviços públicos também figuram entre os alvos, com crescimento de 20% e média de 2.759 ataques semanais. Turismo, hotelaria e lazer completam o grupo dos cinco setores mais atacados, com 2.614 incidentes e avanço anual de 28%.

Uso de IA generativa amplia exposição

O uso corporativo de ferramentas de IA generativa também passou a representar uma fonte relevante de exposição de dados. Segundo a pesquisa, um em cada 36 prompts enviados por empresas apresentava alto risco de vazamento de informações sensíveis. Entre as organizações que utilizam essas ferramentas regularmente, 88% tiveram atividades consideradas de alto risco relacionadas aos comandos enviados.

Em média, cada organização utilizou oito ferramentas de IA generativa, enquanto os usuários produziram cerca de 95 prompts no período analisado. Informações pessoais foram o tipo de dado sensível mais exposto, identificado em 70% das organizações avaliadas. Dados financeiros e informações sobre redes e infraestrutura de TI apareceram logo depois, ambos presentes em 68% dos casos.

O e-mail está entre os principais caminhos utilizados em ataques cibernéticos. Em julho, 0,78% das mensagens analisadas, equivalente a aproximadamente uma em cada 128, foram classificadas como phishing. Outros 20% foram considerados indesejados ou potencialmente arriscados, incluindo spam, graymail e mensagens suspeitas.

A maior incidência de phishing foi registrada na África, onde uma em cada 106 mensagens recebeu essa classificação. Na América do Norte, a proporção foi de uma em cada 117 mensagens. A prática continua associada a riscos como roubo de credenciais, disseminação de malware e invasão de contas corporativas.

Ransomware chega a 964 vítimas no mês

O ransomware apresentou a mudança mais significativa do levantamento em julho, onde foram identificadas 964 vítimas no mundo, alta de 49% em relação a junho e de 87% na comparação com julho de 2025. O resultado ficou bem acima da média mensal de aproximadamente 672 incidentes observada durante o primeiro semestre de 2026.

Serviços empresariais concentraram 32,5% das vítimas conhecidas. Manufatura e indústria responderam por 14,4%, enquanto bens e serviços de consumo representaram 13,4%. Por região, a América do Norte concentrou 45% dos casos, seguida pela Europa, com 28%, e pela Ásia-Pacífico, com 17%.

Os Estados Unidos responderam por 39,4% dos ataques identificados. Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália apareceram na sequência entre os países com maior número de ocorrências.

The Gentlemen e Qilin foram os grupos de ransomware com maior participação nos ataques publicados em julho, com 14% cada. O DeadLock ficou na terceira posição, responsável por 10% dos casos e 97 vítimas reportadas. Grupos criminosos ajustam sua atuação conforme conseguem novos acessos, ampliam redes de afiliados e modificam suas técnicas de invasão.

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