
A inteligência artificial está mudando o papel dos líderes de tecnologia dentro das empresas. Em vez de concentrar esforços apenas na infraestrutura e na operação de TI, esses executivos passaram a ser cobrados por decisões estratégicas e ganhos concretos para o negócio.
É o que mostra o “2026 Global Technology Leadership Study”, da Deloitte, que ouviu 662 líderes de tecnologia de empresas de diferentes países. O levantamento aponta uma transformação na atuação desses profissionais, impulsionada principalmente pela expansão da IA.
Para 79% dos entrevistados, gerar resultados mensuráveis para o negócio é a principal prioridade para 2026. A mudança mostra que as empresas estão deixando de tratar a inteligência artificial apenas como uma tecnologia para testes e projetos experimentais.
Agora, a cobrança está mais ligada ao retorno dos investimentos. A expectativa é que as iniciativas de IA contribuam para produtividade, crescimento, competitividade e outros indicadores que possam ser medidos pela organização.
Apesar da confiança na tecnologia, existe uma diferença entre expectativa e capacidade de execução. Oito em cada dez líderes, ou 81%, dizem confiar na capacidade das empresas de implementar e governar a IA em escala. Ao mesmo tempo, 79% acreditam que os modelos operacionais terão de ser alterados nos próximos 12 a 18 meses.
“Esse contraste evidencia que a adoção da IA não depende apenas da disponibilidade de ferramentas ou da maturidade tecnológica, mas exige mudanças estruturais que envolvem processos, pessoas, formas de financiamento e mecanismos de coordenação entre diferentes áreas da empresa. Assim, a geração de valor passa a depender menos da adoção indiscriminada da tecnologia e mais da capacidade de selecionar casos de uso capazes de produzir impacto efetivo nos negócios“, contou em nota Eduardo Rodrigues, líder do CIO Program da Deloitte.
Governança ganha peso
A expansão da IA também aumenta a pressão sobre os modelos de governança corporativa. Com a tecnologia interferindo em processos, equipes e fluxos de trabalho, as empresas precisam definir quem decide, quais projetos terão prioridade e como os investimentos serão acompanhados.
O estudo indica que mais da metade dos líderes espera um impacto significativo da inteligência artificial em suas organizações até 2028. O problema, segundo os executivos ouvidos, não está necessariamente na existência das ferramentas.
A preparação interna aparece como um dos principais obstáculos. Dados pouco integrados ou de baixa qualidade, falta de profissionais especializados e dificuldades para incorporar a IA aos processos podem limitar o retorno esperado pelas empresas.
Mais líderes, mais decisões
A estrutura de comando da tecnologia também está ficando mais complexa. Algumas organizações já contam com até cinco executivos de nível C-level com responsabilidades relacionadas à área.
Com mais lideranças envolvidas, o desafio deixa de ser apenas técnico. Os executivos precisam conciliar orçamento, riscos, prioridades e expectativas de diferentes áreas, evitando que a multiplicação de responsáveis resulte em decisões desconectadas.
Rodrigues adicionou que “essa multiplicidade de responsabilidades amplia a complexidade da tomada de decisão e pode intensificar disputas por orçamento e prioridades estratégicas, tornando a governança um elemento indispensável para garantir coordenação, clareza de papéis e alinhamento entre as diferentes lideranças. Os líderes devem ser capazes de orquestrar múltiplos stakeholders, tomar decisões estratégicas e transformar investimentos em resultados mensuráveis”.
Mesmo com a pressão por resultados e as mudanças necessárias nas empresas, a percepção dos executivos é positiva. Mais de sete em cada dez líderes de tecnologia dizem estar inspirados ou determinados diante do futuro da profissão.
O estudo (em inglês) está disponível neste link.






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