
A inteligência artificial começa a mudar a operação de crédito menos pela decisão final e mais pelo trabalho que acontece antes dela. Um levantamento da Pipefy com sua base de clientes mostra que bancos e empresas estão usando IA principalmente para reduzir tarefas manuais ligadas a documentos, conferências e organização de informações.
Na vertical de Crédito e Risco, a solicitação de crédito representa 48% dos casos de uso de IA. Depois aparecem o registro de garantias, com 21%, e a análise de crédito, com 17%. Os números mostram uma estratégia prática de automatizar etapas que consomem tempo dos profissionais e podem atrasar a conclusão de uma operação.
Documentos essenciais da operação
A solicitação de crédito concentra a maior fatia porque costuma ser o primeiro ponto de contato entre o cliente e a operação. É também uma etapa carregada de documentos e informações que precisam ser conferidos antes que o processo avance.
Quando essa triagem demora, o impacto não fica restrito à entrada do pedido. A espera pode se espalhar pelas etapas seguintes, aumentando o tempo necessário para chegar à decisão. A IA passa a atuar justamente nesse intervalo, organizando informações e reduzindo parte do trabalho operacional.
Marcus Moura, general manager da vertical de Credit & Risk da Pipefy, explicou em nota que “a leitura mais interessante dos dados é que a IA não está decidindo crédito, ela está preparando as decisões. Ela assume a triagem, a conferência e o cruzamento de documentos, apoiando o analista em uma decisão rápida, consistente e auditável, que deixou de ser diferencial e passou a ser requisito”.
Garantias e análise também avançam
O segundo maior uso aparece no registro de garantias, responsável por 21% dos casos. A tecnologia pode ajudar a organizar e conferir informações necessárias para formalizar essas garantias, uma etapa que exige precisão e pode envolver consequências jurídicas quando há erros ou inconsistências.
Na análise de crédito, que representa 17% dos usos identificados, a IA atua sobre outro ponto importante: a leitura e o cruzamento das informações utilizadas pelo profissional responsável pela avaliação.
Somadas, essas três frentes mostram que a inteligência artificial já está sendo aplicada em diferentes momentos da operação de crédito. O movimento começa com a entrada dos documentos, passa pela análise das informações e chega à formalização das garantias.
“Mais do que ter acesso à IA, o grande diferencial é ter o agente operando dentro do fluxo da empresa, orquestrando o processo do início ao fim com governança. É isso que permite conectar uma dor específica, como a análise de documento e cruzamento de informações, a um ganho imediato e garantir a escala quando a operação ganha maturidade”, complementou Moura.
A tendência apontada pelo levantamento é de uma IA cada vez mais ligada à execução dos processos. Em crédito e risco, isso significa usar agentes e automação para lidar com tarefas repetitivas, enquanto os profissionais concentram mais tempo na avaliação e na decisão que exige julgamento.






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